♫ Menina que vive de música, da música, por música, na música.
ღ Menina que vive de amor, do amor, por amor, no amor.
ઇઉ Menina que vive de ecdises, mudanças que deixam a alma e o corpo mais ela, mais Ele.
Menina que vive no mundo dela, e ama esse mundinho! |̲̅<̲̅Θ̲̅>̲̅|
“A cidade sem ninguém” é um livro que conta a história de Atashi (forma femininha de eu, em japonês), um personagem que parece na forma de um coelhinho e que parte em busca da “pessoa só para ela”.
Chii, do anime CHOBITS , encontra o primeiro volume da série em uma livraria e logo outros volumes vão surgindo.Aqui você encontra a história dessa série de livros no formato que foi apresentada no anime.
Postei essa historinha por que ela também faz parte da história de Yue e da Mel.
Essa é a história que Matsui, o irmão de Yue, lia sempre para ela, como dito no capítulo #3.
E essa é a origem do bichinho de pelúcia que Melony usa enquanto não está na gigai (logo mais postarei as fotos para que vocês entendam melhor.)
Livro 1
“Nesta cidade não havia ninguém. Na cidade havia casas e janelas iluminadas. Mas não havia ninguém nas ruas.
Olhei por uma das janelas. Tinha uma pessoa. Mas ela estava com um deles.
Olhei dentro de outra casa. E a pessoa de lá também estava com um deles.
Esta cidade é igual a todas as outras. É divertido estar com um deles. Mais divertido do que estar com outra pessoa. Por isso, ninguém mais sai na rua.
Não há ninguém nesta cidade. Eu farei uma jornada. Irei para outras cidades. Eu queria que alguém me achasse.
Alguém só para mim. Mas, quando esse alguém só meu passar a gostar só de mim…Será a hora da nossa separação.
Ainda assim, eu quero encontrar o alguém só para mim. Pensando nisso, eu continuo vagando por outra cidade sem ninguém.”
Livro 2
“Hoje, mais uma vez, eu saio em busca daquele que é só meu. Alguém que me ame porque eu sou eu. Eu não posso realizar todos os sonhos dele…Mas ele ainda vai me amar.
- Mas… - Será que tal pessoa existe? Eu adoraria que ele estivesse aqui. Será que ele vai mesmo se apaixonar por mim? Será que ele não vai querer mais nada de mim? Se ele não puder me amar por eu ser eu mesma…Então ele não é o meu único.
- Mesmo? - Mesmo - Ele existe mesmo?
- Sim, existe - Então…onde?
- Com certeza ele vai estar ao meu lado em breve. Em um lugar não tão distante…Eu acredito que exista uma pessoa que vá amar.”
Livro 3
“Houve uma vez que eu perdi uma coisa valiosa. Para mim foi um acontecimento terrivelmente doloroso. Meu coração ainda dói.
Algo terrivelmente doloroso. Dor, dos acontecimentos dolorosos que restaram depois de perder a coisa valiosa. Mas estou procurando.
- Por causa da dor, estou procurando. Eu posso dizer…Eu sou você, assim como você sou eu. Por isso eu posso dizer. Dentro de mim estou cheia de pensamentos sobre uma pessoa. Se essa pessoa sorrir para mim, fico feliz. Se essa pessoa ficar comigo, fico feliz.
- Sim, se essa pessoa estiver feliz, fico feliz.
Essa pessoa é especial…diferentemente dos outros.
- Você achou a pessoa? Meu valioso, meu especial…Minha pessoa.
- Seria legal se essa pessoa pudesse me encontrar.
- Me achar e eu gostar dele por ele ser quem é.
Seria legal se essa pessoa pudesse encontrar as coisas que eu posso e não posso fazer por eu ser quem sou. Eu gostaria que aquela pessoa encontrasse e também gostaria que essa pessoa gostasse de mim como eu sou.
- Dentro de tantas pessoas e dentro ‘daquelas coisas’. - Eu gostaria que ele me encontrasse. - Mas se elenão puder encontrar…”
Livro 4
“Um acontecimento terrivelmente doloroso. Dor dos acontecimentos dolorosos que restaram depois de perder a pessoa valiosa. Mas estou procurando por alguém que vai gostar de mim como eu sou. Minha própria pessoa.
E eu encontrei essa pessoa. Mas isso é o começo de algo ainda mais doloroso.
É triste estar com alguém sabendo que não há nada que você possa fazer por essa pessoa. Olhar essa pessoa sofrer é tão doloroso quanto.
Então eu desapareci daquela pessoa. Eu desapareci, porque eu gosto dele.
Mesmo assim. Não poder ver essa pessoa é muito mais doloroso. Não poder estar do lado dessa pessoa é muito, muito mais doloroso.
- Por eu gostar dele, eu o deixei. - Você gosta dele, mas o está abandonando? - Isso é pelo bem da felicidade dele…
- Felicidade? O que é isso? - Felicidade…isso é… - Essa é a sua felicidade?
Minha felicidade está aqui? Minha felicidade está apenas com aquela pessoa.
Apesar de ser doloroso, apesar de que meu coração irá doer.
Mesmo assim eu amo essa pessoa.
Isso. Eu encontrei.”
Enquanto Melony abria os olhos, senti meu batimento cardíaco aumentar de leve e minhas mãos se fecharam, arranhando minhas pernas.
Era como se a pequena bolinha verde estivesse se enraizando aos poucos, enquanto seus pequenos olhinhos começavam a se abrir. Quando vi, tentei sorrir ao máximo, primeira impressão é muito importante.
Como uma criança que acaba de acordar, ela abriu os olhos sonolentos e piscou algumas vezes.
_Hmmm... Huh?
Ela olhou para minha cara como se estivesse vendo um alienígena.
_Ah! A garota idiota do outro dia! Você de novo?
“Lá vamos nós de novo...”
_Espera um pouco, o que está acontecendo aqui? Cadê aquele velho miserável?
E então ela viu alguma coisa e parou de se mexer.
Suei frio.
Os olhos dela vagaram lentamente até chegar ao seu corpo novo, e...
_KYAAAAAAAAAAAAAAAAA!
O QUÊ QUE É ISSO?
Ela girou em torno do corpo várias vezes, inconformada. E ficando cada vez mais maluca.
_Corpo rosa? Focinho? Orelhas gigantes? Mas o que...
De repente, ela entendeu que se tratava de um bichinho de pelúcia. E uma aura negra cobriu sua cabeça, que girou len-ta-men-te até olhar alguma coisa em suas costas. Então ela virou a cabeça len-ta-men-te de novo para mim.
_Você... Foi você que me colocou nessa coisa repugnante e cheia de ácaros?Se tivesse alguma coisa redonda e felpuda na minha bunda VOCÊ IA MORRER!
Quando vi, ela estava a meio palmo da minha cara.
_R-Repugnante? Que coisa cruel de se dizer Melony-chan...
_Chan? Não me chame por chan!
Depois que o grito dela foi e voltou do planeta, eu esfreguei minhas orelhas.
_Tá, tá... Não te chamo mais por chan, Me-lo-ny!
Mas ela estava longe de se acalmar, e fazia perguntas sem parar, às vezes parecia que as perguntas nem eram para mim, mas ela não parou de falar por um bom tempo, sempre gritando, e rodando de um lado para outro, e puxando as novas orelhas, inconformadíssima.
Eu estava meio sem saber o que falar afinal ela nem mesmo esperava eu respirar para fazer novas reclamações e perguntas, mas eu sorria, tentando manter a calma.
Melony devia estar ainda mais confusa e desnorteada que eu, então eu podia fazer o mínimo para ajudá-la.
_Melony, é melhor que você leia essa carta que o Sebastian te deixou...
Ela tomou a folha da minha mão, e leu rapidamente:
Melony,
Tente não ser um incômodo para a Kouji-san entendeu?
A partir de agora você esta sendo designada para servi-la como sua kaizoukonpaku.
Você sabe quais são as suas funções. Não me decepcione está me entendendo?
E seja educada com ela, ela é a sua nova dona agora. E é uma boa pessoa.
Estarei por perto caso haja alguma coisa. Não tente nada estúpido!
Sebastian Julius
Ps.: Espero que goste do seu novo corpinho! Ahahaha!
Melony amassou a carta com tanta força que achei que quebraria os próprios dedos, se o bichinho de pelúcia tivesse um.
_Sebastian... Seu... Maldito...
***
Amassei o papel com tanta raiva que teria quebrado meus dedos se estivesse na minha gigai, deixei os pequenos braços daquela coisa rosa cair, sem jogar o papel fora. Minha cabeça abaixou um pouco.
Então pensei com raiva que eu deveria estar triste.
Sebastian e eu passamos tantos anos juntos e agora ele simplesmente me passava para aquela garota idiota. Eu estava me sentindo péssima.
_Melony... – A garota sussurrou, ao me ver abaixar a cabeça. Meus ombros tremeram com a raiva enquanto eu pensava nas mil e uma maneiras de me vingar daquele velho pervertido.
_Ah! Melony-chan! Não chore!
_Não mechame de chan!Você é idiota? Eu tenho o dobro da sua vidinha medíocre para chorar!
_Quase o dobro... – Brincou ela, rindo.
Com minha cabeça ainda abaixada, eu continuava com raiva.
_Por quê?... Por que eu tenho que obedecer a você? O que te faz pensar que eu vou te obedecer?
A garota me olhou confusa como se não tivesse entendido minha pergunta. Mas não disse nada.
_Eu odeio vocês! Odeio todos vocês humanos! Têm uma vida livre e a jogam fora, mas ainda tem tempo de não me deixar ter a minha!
Virei o rosto de pelúcia, com raiva, para não ter que olhar para ela.
Vários segundos se passaram até que ela olhou uma fotografia no alto de uma estante da sala.
_Livre...? Será mesmo?...
Olhei para ela, surpresa.
Ela continuava olhando a fotografia, então se levantou, foi até a estante, pegou o porta-retrato e o abraçou, de costas para mim.
_Se eu fosse realmente livre... Poderia vê-lo de novo... – ela sussurrou.
Permaneci encarando-a, sem entender. Ela continuou:
_Humanos não são... Livres, Melony. Ao contrário, somos as criaturas que mais ficam aprisionadas. Estamos presos à vida, ao destino, às nossas próprias atitudes. Uma vez que nosso destino tenha sido traçado, só um milagre nos faria escapar dele. Começamos a morrer no instante em que nascemos... E às vezes morremos antes mesmo de morrer. – continuei sem entender e ela explicou – Quando alguém precioso para você morre, é como se uma parte de você também morresse. E somos obrigados a passar o resto de nossas vidas assim. Têm feridas que o tempo não cura, só cicatriza. E somos obrigados a carregar essas cicatrizes até o último dia de nossas vidas. – ela colocou o porta-retrato de volta na estante com cuidado e olhou para a janela, onde nuvens começavam a tampar o brilho da lua. – Mas nem sempre nossas obrigações são tão ruins assim. Um acontecimento ruim pode gerar um bom, quando você menos espera. – Olhou para mim e sorriu – Naquele dia... Você me salvou... E se eu não tivesse sobrevivido teria perdido todas as oportunidades de ver esses bons acontecimentos, como conhecer você, Melony. Teria morrido triste, e talvez tivesse decepcionado meu irmão.
Eu não tinha salvado ela, tinha me livrado do meu peso de não poder salvá-la.
_Bem, você não tem necessariamente que me obedecer. Eu preciso de você e você pode me ajudar...
“Essa é boa...”
_Sebastian me contou que você odeia se sentir presa a qualquer coisa. Eu... Não sei como lidar com kaizoukonpakus, e você é a primeira que eu tenho – e sorriu – Mas quero que sejamos sinceras uma com a outra. Eu não quero deixar você livre sempre que quiser.
Depois de arquear as sobrancelhas, perguntei:
_O que quer dizer?
_Hm... Bom... Você vivia sempre sozinha no laboratório não é? Aqui vai poder ficar no meu apartamento todo, vamos morar juntas...
“Nossa que interessante...” ¬¬
_... E você pode usar sua gigai sempre que quiser, isso é, quando não estiver cuidando do meu corpo, e...
“Ah... Isso é tããão interessante...” “¬¬
_... Podemos sair juntas algumas vezes se quiser...
“...”
_... E aposto que você vai amar a super doceria que tem aqui pertinho. ^-^
Sempre passo lá depois da aula.
_Doceria?
_Sim... – ela me olhou com uma cara estranha – Não me diga que você nunca comeu doces? Meu Deus! Você só pode ser uma santa! Eu jamais viveria sem doces! – e correu até a cozinha, abriu o armário e voltou com a mão cheia de pacotes coloridos. – São todos deliciosos! – parou um segundo para pensar – Acho que você só pode comer enquanto está na gigai não é?
Então ela se aproximou de mim, a mão perto daquele bicho asqueroso em que ela me colocara. Afastei-me.
_Não toque em mim!¬¬
_Ei, ei, tudo bem, eu só vou te passar para sua gigai e tenho certeza que você não vai se arrepender.
Ela sorriu enquanto estendia a mão, que agora era gigante, comparada à minha, para se apoderar de mim.
_Não me toquee!! – gritei correndo e me escondendo atrás do sofá.
Ela deu uma risada.
_Tudo bem então. Vou deixá-los aqui em cima da mesa para quando você quiser. Sua gigai está no meu quarto.
Não me mexi. Ela viu que eu a encarava com uma cara não muito amigável, mas mesmo assim sorriu. Que raiva.
De repente, senti uma reiatsu tão forte que senti arrepios. A garota também sentiu.
_O- O que é i... – ela começou a pergunta quando um celular em cima da mesa tocou, vibrando.
Ela atendeu.
_Alô?
_Kouji-san! Saia daí agora!
Eu conhecia aquela voz...
_O – O que? Não estou entendendo! Quem está falando? O que está acontecendo?
_Não tenho tempo pra explicar, só saia daí lo...
Antes que a voz pudesse terminar a frase, a parede da cozinha foi aberta num soco de uma mão gigantesca.
Nós duas nos viramos e vimos, aterrorizadas, um hollow gigantesco aparecer e gritar aquele grito ensurdecedor que todos hollows fazem.
O celular se afastou da orelha dela enquanto ela olhava paralisada para o monstro, talvez pensando no que fazer. Não era de se admirar que não soubesse. Eu jamais vira um hollow daquele tamanho na minha vida, e aquilo não parecia ser um hollow comum.
Corri rapidamente para o quarto enquanto o hollow olhava pela cozinha, procurando alguém.
Não foi difícil achar a gigai no quarto pequeno e em dois segundos eu já estava na gigai, me sentindo muito melhor depois de sair daquela coisa rosa.
Quando voltei, a garota tinha largado o celular e estava na forma de shinigami.
Então o hollow nos encontrou. Um cero veio arrasando a cozinha até na sala, e nos alcançaria se eu não tivesse pulado a janela e a garota tivesse passado pela parede até a rua.
A alguns metros de distancia, ela se volta para o apartamento, apontando sua espada para lá.
O hollow apareceu instantes depois. Ela já ia atacá-lo quando a voz do telefone reapareceu:
_Kouji-san, PARE! - Olhamos para trás e vimos Sebastian correndo em nossa direção a toda velocidade. – Esse não é um hollow comum! Você ainda não tem força suficiente para derrotá-lo sozinha ainda!
_O que? Por que? – Ela perguntou.
Um novo cero veio em nossa direção, e conseguiu rasgar parte do kimono dela, quando ela tentou escapar.
_Ele é rápido!
O hollow desapareceu num sonido e apareceu na frente dela, e já ia desferir um novo soco quando Sebastian apareceu na frente dela, levantando as mãos:
_Hadou #31 – Shakkahou!!
Uma esfera vermelha gigante apareceu e quase acertou o hollow, que desapareceu num outro sonido.
Enquanto isso, Sebastian se vira para a garota e pergunta:
_Kouji-san! Está ferida?
_N-Não! Mas o que era aquilo?
_Aquilo... É um arrancar modificado geneticamente. – disse ele, se virando para frente, esperando um novo ataque.
_Arrancar?
_Sim. Tenho meus hollows de pesquisas. Sempre os modifico dessa vez consegui algum sucesso na transformação dele, mas houve um problema.
_Ah! Fala sério! Eu mal vi um hollow comum e já tenho que lutar contra um arrancar modificado geneticamen...
O arrancar apareceu por trás da garotacom o punho pronto para um novo soco, mas Sebastian foi mais rápido, embora não tão rápido. Levou o soco, e foi parar a metros de distancia.
_Sebastian-san! – ela gritou.
O monstro se aproveitou da guarda baixa e segurou-a com as mão gigante, apertando-a com força.
_D - Droga!... Me... Solta! – falou ela, enquanto era esmagada entre os dedos enormes e erguida para o alto.
Ela não conseguia se mexer e quando foi pega, sua espada caíra no chão.
Sebastian tentou se levantar, mas parecia ter quebrado alguma coisa, e caiu ao tentar se levantar. Vendo que era inútil persistir, ele olhou para cima, seus olhos procurando alguma coisa.
Eu estava parada no céu, sem fazer nada e a uns bons metros de distancia, olhando tudo sem um pingo de vontade de me mexer dali.
_Melony! O que pensa que está fazendo? – perguntou ele ao me ver de braços cruzados – Ataque ele!
Não me mexi um centímetro sequer.
_O que está esperando? Ande logo!
O monstro apertou ainda mais a garota estúpida, e ela tossiu, perdendo o ar e tentando em vão escapar dele.
_Melony!! – Sebastian gritou, já nervoso.
Mas continuei sem me mexer. Olhei para Sebastian por cima e fria, perguntei:
_E se eu não quiser?
Bastou alguns segundos para que seus olhos perplexos assimilassem minha ameaça e se enxerem de raiva.
_Agora não é hora de você dar seus chiliques Melony! Seja rápida e ataque logo essa coisa!
Continuei sem me mexer.
_Quer saber de uma coisa, Sebastian?... Eu estivesse esperando por isso. Uma... Chance.
-Ele olhou para mim, e eu já não sabia se ele estava mais perplexo ou mais furioso, mas eu continuei, com um desprezo sarcástico, sem me importar com o seu olhar - O que vai acontecer se eu salvá-la? Vou ficar mais algumas décadas presa a ela e depois que ela morrer, mais algumas décadas com outro humano idiota. Foi mal, mas eu estou a fim de servir de babá de humanos. – Minha voz ficou mais grave e eu falei mais alto, minha raiva se atenuando - Essa humana idiota só me quer porque sirvo pras necessidades dela! E você! – apontei para Sebastian - Você é igual a todos eles! Usam-nos e depois nos descartam!Quando eu não mais servir, vou ser descartada e jogada fora como qualquer lixo que vocês têm? Nem ferrando!
_Sua... – Sebastian preferiu não terminar- Oque você acha que...
_Está errada... Melony-chan... – a garota interrompeu, com dificuldade.
Olhamos os dois surpresos para ela, que parou de se mexer entre as mãos do arrancar e olhava para baixo, parecia fraca.
_Esse coelhinho... O nome dela é Atashi... Que dizer eu... Por isso posso entendê-la.
Ela tossiu e continuou:
_É doloroso não é? É por causa da dor que você a está procurando não é? A sua... Liberdade... A sua felicidade... Você sempre procurou alguém diferente que pudesse amá-la pelas coisas que você pode e não pode fazer... Pelo que você é... Sempre vagando... Igual a Atashi... Meu irmão sempre lia para mim a história dela... - ela sorriu um sorriso meio triste, enquanto eu a olhava, paralisada – É triste não é?... Estar com alguém sabendo que não se pode fazer nada por essa pessoa... Mas... A felicidade só existe com as pessoas que você ama Melony... Ela aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas... Mesmo que seja doloroso... Mesmo que nosso coração seja ferido... Queremos estar com aquelas pessoas... Eu... – seu corpo começou a tremer enquanto seus olhos marejaram – Eu quero que você fique comigo Melony... Eu nunca pensei em você como algo que eu fosse descartar... Não quero você como minha propriedade... Quero você como minha amiga! – e olhou para mim, num sorriso triste inundado de lágrimas.
“A...mi...ga....”
Eu já vira aquela palavra tantas vezes nos livros... Mas nunca nenhuma delas me fez um impacto tão grande como daquela vez.
“Por que ela queria ser minha amiga? Eu sempre a tratava mal, e sempre a odiei, ela sabia disso. Mas... Mesmo assim... Ela queria ser minha amiga? Por que?”
Eu nunca tinha pensado daquele jeito.
“Ser livre é ser feliz? E só é feliz quem tem amigos?”
Eu estava confusa, minha cabeça pendeu enquanto pensei:
“Essa pessoa... Entende...
Essa pessoa é... Especial...
Então, se eu perdê-la, perderei também minha liberdade?”
***
Logo vou editar (ómeldels) pra colocar o restante do capítulo.
Enjoy~~
Kaizoukonpakus não são humanos, nem shinigamis, nem hollow.
Somos um “meio-termo” para tudo que respira e pensa.
Essa foi a primeira coisa que eu aprendi, no primeiro dia da minha existência, já que vida é um termo indefinido no tocante as kaizoukonpakus.
Somos um “meio-termo” até mesmo para isso.
Então, como “meio-termo”; nunca nasci, mas fui criada em um laboratório secreto de um cara chamado Sebastian Julius.Essa pessoa foi a primeira pessoa, a primeira coisa que meus olhos de “meio-termo” viram.
Não sei descrever como é esse sentimento, de surgir assim, do nada. Era como “nascer”, mas ao contrário dos bebês humanos, meu desenvolvimento era anos mais rápidos e eu já fora criada sabendo fazer muitas coisas, como por exemplo, falar.
Lembro-me que essa pessoa ficou do meu lado falando por horas. E me ensinou muitas coisas, as coisas que eu não “nascera” sabendo.
Meu mundo era aquela pessoa, aquele lugar apenas. Eu desenvolvi certa curiosidade pelas coisas que me rodeavam. Sebastian tinha estantes gigantescas de velharias nos fundos do laboratório. Era interessante mexer naquilo tudo, enquanto Sebastian dava as escapulidas dele para for a do laboratório, mas eu nunca soube o que tinha lá fora.
Sebastian era uma pessoa meio fria; sempre sério. Mas isso para quem o conhecia pouco. Com o tempo eu fui descobrindo que ele, como qualquer outro humano, tinha alguns “pontos fracos”. É lógico que eu demorei uns bons dez anos para descobrir alguns deles.
Foram anos que eu passei ao lado dele, ajudando-o com suas experiências, cooperando sempre que possível das mais diversas formas. Eram pesquisas meio malucas, mas todas eram interessantíssimas. Sempre ficava ansiosa por fazer parte delas.
Fui descobrindo cada cantinho do laboratório e da vida, aos poucos, e percebi que coisas estranhas iam acontecendo comigo. Sebastian dizia que aquilo em humanos se chamava “sentimentos” ou “emoções”.
O melhor de tudo era ver como ele ficava fulo da vida quando aconteciam explosões em suas experiências, ou algo de errado acontecia de alguma maneira. Ele praguejava por dias e eu ria disfarçadamente por dias.
Sebastian tinha seus momentos de gentileza. Sempre nos seus desaparecimentos, me trazia alguma coisa, como roupas, junto com as novas tralhas que arranjava pra seu laboratório. Eu não fazia idéia do por que de usar as roupas que ele me trazia, mas ele quase deu um ataque cardíaco fulminante quando me cansei delas e comecei a andar sem.
Então, desde esse dia, ele me obrigava a não sair do meu quarto sem me vestir, dizendo que apesar de eu ser uma kaizoukonpaku, não deixava de ser fêmea.
_E o que tem isso?
As veias de seu rosto quase saltaram para for a enquanto ele gritava que não queria saber de ninguém andando sem roupas pela casa dele.
_ Mas essas roupas incomodam. É mais prático...
_Nem pensar! Está me ouvindo? Nem pensar!
_ Aff… Tanto faz… - resmunguei.
Um dia, mexendo nas estantes do laboratório enquanto Sebastian saíra, encontrei um quarto enorme com estantes cheias de livros. Pilhas e mais pilhas de livros. De todos os tamanhos, de todo jeito. Livros de história, livros científicos…
Comecei a lê-los, com muita curiosidade. Livro após livro, eu ia entendendo cada vez mais dessas coisas de humanos, quase todos falavam deles. Um dia, até achei um bastante promissor, que me fez entender o porquê de Sebastian ficar tão furioso com meu desgosto com roupas.
“Hmmm… Interessante…” – pensei, rindo.
Nos livros, tinham paginas ou descrevendo paisagens ou mostrando-as. Lugares diferentes, humanos diferentes. Li com tanta avidez que os livros que eu lera faziam montes.E nem percebi que Sebastian me flagra, de volta de seu desaparecimento.
Ao ver a pilha de livros espalhada por todo lado, Sebastian quase deixa a xícara de café que ele segurava cair.
_O que está fazendo, MELONY?????
Ah sim. Agora ele parecia realmente furioso. Levantei-me num pulo:
_Nada...Só olhando essas tralhas velhas que você tem por aqui.
Sebastian “adorava” quando eu chamava algumas das “relíquias” dele de “tralhas, velharias, quinquilharias” e coisas do tipo. Mas respirou profundamente, e voltou ao seu frio autocontrole.
_Você morreria se me perguntasse se pode ou não mexer nas minhas coisas? E mesmo se não soubesse, porque diabos você tem que deixar tudo espalhado? Sabe muito bem que odeio coisas fora do lugar!
_Ah é... – concordei- nem percebi.
Ele me olhou com uma cara incrédula.
_Como não percebeu? Tem mais de duzentos livros espalhados aqui!
_Estava tão absorvida que nem vi o tempo passar- sentei-me de novo para pegar o livro que estava lendo – Esse aqui tem tantas gravuras interessantes...
Olhei fixamente para a página que estava aberta, e Sebastian me olhava, ainda incrédulo.
Suspirou, e por fim, chegou mais perto para olhar que livro eu estava lendo.
_Isso é um atlas.
_Atlas?
_É... Você sabe; mapas do mundo, essas coisas...
_Uau! O mundo é assim tão pequeno? – perguntei sarcástica.
_Isso é uma representação cartográfica! – ele me responde meio nervoso.
_Hm... E onde estamos nesse mapa?
Então ele apontou o dedo para uma pequena ilha no canto do mapa, quase no fim do mundo.
_Aqui, no Japão.
Passamos horas assim, com ele me explicando minhas muitas de perguntas, e parecia interessado na minha curiosidade.
Olhei extasiada para a pequena ilha onde estávamos e nem percebi que ele me observava de novo.
_Você quer ver... Como é lá fora? – perguntou.
Levantei meu rosto surpresa. Depois de alguns segundos, meu rosto se transformou e eu abri um mega sorriso.
_E isso é pergunta que se faça? – disse, levantando-me.
_Ótimo. Sairemos amanhã cedo então.
Nunca uma noite demorou tanto para passar. Antes que o sol nascesse, eu já fora bater na porta do quarto dele umas três vezes. Na quarta vez, ele saiu do quarto bufando de raiva e me mostrou no relógio a partir de quantas horas significava o “cedo” dele.
Ás 8 horas; estávamos saindo de casa, na moto preta de Sebastian. Moto meio maluca, eu acho. Mas corria pra caramba também.
Era a primeira vez que eu saía do laboratório. Não tinha nada mais emocionante.
Quando a moto deu a partida, o vento bateu forte e saímos quase arrancando asfalto.
Eu piscava para ver se era um sonho. Não que kaizoukonpakus sonhem, mas parecia um.
Fomos até a cidade, e nunca vi tantos humanos na minha vida. Sebastian me levou para vários lugares, e em cada um eu fazia birra pra não ir embora, mas ele acabava me puxando até a moto de qualquer jeito.
O sentimento do vento batendo no meu rosto dava uma sensação tão boa... Eu nem saberia como descrevê-la.
Chegamos ao nosso ultimo ponto antes de voltarmos para casa.
Meus olhos se arregalaram.
Muita...muita água. O mar!... Era tão lindo! Mais bonito do que nas gravuras!
Corri até a praia, deixando Sebastian para trás. Vi conchinhas no chão e bichinhos da praia.
Até um caranguejo, andando de lado, era muito engraçado. Tentei fazer Sebastian imitar o jeito de o caranguejo andar, mas ele quase me enterrou na areia, irritado.
A brisa veio leve, e marulhos se formaram na água.
Como era lindo... Como seria entrar até no fundo dele? Onde ele teria fim? Como podia ser assim tão grande?
Ouvi o som das ondas batendo nas pedras e as gaivotas piando no céu, ao longe.
Ouvi vozes, e vi um grupo de humanos pulando na água, correndo, gritando alto. Parecia... Divertido.
Os humanos estavam sempre em grupos. Sebastian era um dos poucos que eu via sempre sozinho. Bem, se eu fosse uma humana e ele me tratasse do jeito que me trata, levaria umas boas bofetadas na cara. Não que eu não fizesse isso algumas vezes, mas nesse caso era diferente. Ele era tão isolado, irritado e irritante, sempre ocupado...
Mas daquela vez estávamos ali, e ele até deu um jeito de soltar um meio sorriso torto.
Finquei inconformada foi dele não ter me levado ali antes, com todos esses anos em que eu passara naquela ratoeira empoeirada como o seu ratinho de laboratório. E o empurrei na água, para descontar minha raiva. Ele ficou fulo, e pernas pra que te quero.
Voltamos para “casa”, se é que poderíamos chamar aquilo de casa. O meu pequeno mundinho se abrira, e florescera. Não era só aquele pequeno lugarzinho escondido mais. Tinha muito mais para ver, muito mais para conhecer.
Mas Sebastian resolveu voltar para as coisas ocupantes dele. E fiquei entediada de ler livros.
Por que ler se você pode ver?
E assim, acabei por decidir dar uma escapadinha, enquanto Sebastian estava em um de seus desaparecimentos.
Era a primeira vez que eu fazia algo sozinha, era emocionante, mas estava um pouco receosa, até o motor da moto roncar e voar até a rua.
Fui a todos os lugares que Sebastian me levara novamente. Demorei-me muito mais dessa vez, vi padarias e lojas. Sem falar na quantidade enorme de humanos andando e correndo pra todo lado. Encantei-me com várias coisas, e fui até o ponto mais alto da cidade.
Na hora de ir embora, a moto morre.
_Ah! Não agora, sua imprestável! – praguejei.
Por sorte, um cara num carro passou e diminuiu a velocidade até parar perto da moto.
Uma vez eu li que humanos quando se sentem atraídos, ficam meio lerdos.
_Ei gracinha, de onde você caiu?
Tive vontade de dar-lhe um soco bem dado na cara e roubar o carro dele, mas como dizia Sebastian, “Mais vale a experiência”. Por isso, resolvi testar meus conhecimentos. Seria uma experiência interessante.
Andei vagarosa e insinuantemente até o carro. Sorri o melhor dos meus sorrisos.
_Ah! Você é que deve ter caído do céu! Eu estava aqui tão sozinha... Precisando de alguém assim, legal como você!
Cheguei meu rosto bem perto do dele e pude ouvir o coração do idiota ir a mil.
“Funciona!”
Ele saiu do carro e colocou quase toda a gasolina do seu tanque na moto. Agradeci, dando-lhe um beijo, vendo o cara quase ter um ataque cardíaco.
“Tch... Humanos... Tão fáceis de entender...”
_Até mais gatão. A gente se vê... – pisquei.
A moto voou, de tanque cheio de novo.
“Gostei dessa experiência”- pensei, soltando uma gargalhada, enquanto o vento veio forte no rosto, levando meus cabelos para trás.
Minhas fugas continuaram, sempre que Sebastian saía. Mas eram cada vez mais interessantes, que eu me sentia tentada a não voltar. Até que uma vez não voltei.
Estava feliz da vida, jogando pôker em um cassino da cidade. Então Sebastian chega e faz o maior barraco, enquanto eu tento fugir do novo.
_É boa que eu volto para sua velha ratoeira empoeirada! Cansei de ser seu ratinho de laboratório!
Mas o capacho sempre conseguiu me trazer de volta, a contragosto.
“Malditos muitos anos de experiência a mais que ele tem!”
Mas fico feliz em já ter descoberto tanto.
E o mundo não acaba só por aqui. Ainda tem muito... Muito mais para ver.
Um dia, o velho Sebastian não vai conseguir me alcançar e poderei ter toda a liberdade que eu quiser. E até quando eu quiser.
Essa é a diferença entre a minha “existência” e as histórias dos livros de Sebastian. Todos já terminaram, todos têm um ponto final. Já a minha história vai continuar até que eu resolva, quem sabe algum dia, colocar reticências, jamais um ponto final.