♫ Menina que vive de música, da música, por música, na música.
ღ Menina que vive de amor, do amor, por amor, no amor.
ઇઉ Menina que vive de ecdises, mudanças que deixam a alma e o corpo mais ela, mais Ele.
Menina que vive no mundo dela, e ama esse mundinho! |̲̅<̲̅Θ̲̅>̲̅|
Haro gente! Espero que gostem do blog! E espero q não reparem na bagunça T_T
To mto sem tempo... Mas me esforçei o máximo pra deixar tudo arrumadinho.
Essas histórias são criadas, corrigidas e postadas ~~by me.
A finalidade desse Blog é mostrar algumas 'fanfics' da minha 'char' personagem e da 'char' personagem da minha querida amiga Samara no nosso querido:
...Na seção de RPG'S, ou seja, Role Player Game.
Mais especificamente falando, são 'fanfics' do RPG - Bleach, uma série de mangá e anime criada por Tite Kubo.
Ah sim, para quem não sabe o que quer dizer fanfic:
Fanfic é a abreviação do termo em inglês fan fiction, ou seja, "ficção criada por fãs". Trata-se de contos ou romances escritos por terceiros, não fazendo parte do enredo oficial do livro, filme ou história em quadrinhosa que faz referência.
Caso haja alguma dúvida, a ordem correta de fanfics é:
Nº1 : Biografia = Shinigami + Kaizoukonpaku -
Capítulo 1 e 2!
Nº2 : Biografia = Shinigami + Kaizoukonpaku -
Capítulo 3!
Nº3 : Especial - Biografia de Melony Nº4 : A Cidade Sem Ninguém - A história de Atashi = Edição complementativa. Nº5: Biografia = Shinigami + Kaizoukonpaku -
Capítulo 3 - continuação
Já que a porcaria do Nº 2 não me deixou editá-lo..... "¬¬ E eu tenho muita paciência pra editar...
Acabou que no final, foram 6 capítulos mesmo, kixute! Postarei o cap.6 assim que pensar em como escrevê-lo. Ainda não pensei exatamente como será o final.
Logo, esperem-me, VOLTAREY!!! MUAHAUHAUAHUA [parey e fuy!]
No mais, axo que é a critério de vocês mesmo n_n
Enjoy my Blog~~
Edição de 25 de Dezembro de 2009 *-* PS. Depois de séculos eu apareço ake de novo ' . ' Gentiii, ainda não esqueci de que preciso postar as fotinhas da Yue, Mel,Sheen, vulgo xyn, etc etc.
Volto logo, e poxa, dá mesmo pra escrever um livro com isso aqui. O sexto e último capítulo só sai Deus sabe quando cambada, o RPG tá lento e consequentemente minhas idéias tbm. Mas um dia elas estarão aí, e as fics vão estar completinhas! ^____^ Bjokas e Feliz Natauuuu!
Edição de sete de abril: Hey hey!! Eu ando muito ocupada e o RPG está paradasso, então não tive tempo de terminar o sexto capítulo. Mas consegui comprimir os arquivos -yeeeeeeeeey- *________________* Agora ficou muito mais fácil para vocês lerem n_n *Rodopia e faz tchauzinho* Recado dado, o resto é passado ;*
NOTAS: A Menina e o Pássaro Encantado: é um livro de literatura infantil da autoria do escritor e psicanalista brasileiro Rubem Alves. O livro é uma fábula da série Histórias para pequenos e grandes, que se caracteriza por textos infantis que trazem uma reflexão filosófica acerca de temas normalmente abordado em textos para adultos.
Atashi: Variação de "watashi", forma feminina de dizer 'eu'.
Personagem do anime Chobits, da editora CLAMP.
-Chan: Terminação que revela um tratamento extremamente íntimo, carinhoso e até mesmo infantil, reservado ás meninas meigas, crianças ou ainda para compor apelidos.
-Chii : Uma das muitas variações possíveis do sufixo “-chan”. Essas variações são comuns na língua japonesa coloquial, e podem expressar um alto grau de intimidade, um tom de chacota ou ser até mesmo uma simples adaptação da pronúncia em busca de maior harmonia sonora.
Curry: Tempero indiano feito da mistura de diversas especiarias, entre elas o cardamomo, sementes de mostarda, canela, cravo-da-índia, feno-grego, cominho, semente de papoula, tamarindo, açafrão, cúrcuma e gengibre. Também é um prato popular japonês (kare), geralmente servido com arroz, macarrão ou pão. No Japão, costuma ser mais grosso, mais doce e mais suave do que seu equivalente indiano. Pode ser servido de várias maneiras, como uma variedade enorme de verduras, legumes e diversos tipos de carnes.
Dango: é um bolinho japonês feito de mochiko (farinha de arroz), relacionado ao mochi. É geralmente servido com chá verde.
Kakiage: Uma espécie de bolinho feito com legumes diversos cortados em tiras finas, firto em óleo bem quente.
Mitarashi: Um xarope feito de molho shoyu (soja), açúcar e amido. Populares entre as crianças e mulheres.
Mizuki-san: Personagem aleatória de "Memórias de Yue Kouji". Não consta na história original.
Okonomiyaki: é um tipo de bolo frito japonês com vários ingredientes.Okonomi significa "o que você quer" ou "seu desejo," e yaki significa "grelhado" ou "frito" (ps. yakitori and yakisoba); sendo assim, o nome desse prato quer dizer "cozinhar aquilo que você gosta, da maneira que você deseja". A mistura é feita com farinha, vegetais, água ou dashi, ovos e repolho picado, e usualmente contém ingredientes como cebola, carne (geralmente de porco ou bacon), polvo, lula, camarão, vegetais, kimchi, mochi ou queijo. O Okonomiyaki é associado geralmente como sendo um omelete, pizza, ou panqueca, e comumente referido como sendo a “pizza japonesa" ou como a “panqueca japonesa". Muitos restaurantes de okonomiyaki são no estilo faça você mesmo, onde os clientes fazem uma porção dos ingredientes, misturam e grelham em chapas quentes.
-kun: do japonês, tratamento respeitoso equivalente a “san”, porém próprio para meninos. Pode indicar hierarquia, quando um homem de posição de comando utiliza-o dirigindo-se a uma mulher subordinada.
Ramen: É um alimento japonês de origem chinesa composto por filamentos longos de massa alimentícia com ervas e legumes temperados com carne de porco ou peixe de água-doce. Tipos de Caldos :
Shoyu-Ramen.
Misso-Ramen.
-san: Do japonês, veterano. Quando usado junto com o nome, indica aceitação de uma hierarquia.
Sobá: Macarrão de trigo sarraceno usado principalmente em sopas.
Sômen: Macarrão fino, feito de farinha de trigo. Normalmente é servido frio. Prato ideal para o verão.
Tempura: é um prato clássico da culinária japonesa. Consiste de pedaços fritos de vegetais ou mariscos envoltos num polme fino. A fritura é realizada em óleo muito quente, durante apenas cerca de dois ou três minutos. Empanado de frutos do mar e vegetais em uma massa fina e crocante de farinha e ovos.
Teriyaki: é um método japonês de cozinhar. O peixe ou a carne são postos a marinar em molho de soja e vinho de arroz e depois são grelhados nas brasa.
Teppanyaki: Prato de culinária japonesa que consiste em uma mistura de carnes e legumes diversos preparados, em geral, com molho de soja, sobre uma chapa de ferro bem quente.
Takoyaki: é um bolinho assado de polvo. Prato popular no Japão, é muito apreciado principalemente nas regiões de Kansai (Osaka em destaque, Kobe, Kyoto etc). Traduzindo ao pé da letra, tako (たこ) significa polvo e yaki (焼き) assado, ou no caso, frito na chapa.
Udon: Macarrão japonês leve e saboroso, mais grosso que o espaguete; Utilizado em vários tipos de sopa e, ocasionalmente, em pratos como o sukiyaki.
Yakisoba: também grafado yakissoba, é um prato de origem chinesa, muito popular na culinária japonesa, que significa literalmente macarrão sobá frito.
Cheguei em casa e me esparramei no sofá. Joguei as sacolas de doces no chão e fui comendo um após outro.
Algumas horas depois, ouvi um barulho vindo do quarto. Levantei-me num pulo.
“O quê? Um ladrão?”
Eu não sabia se ria, por que estava com medo de que ele me percebesse ali.
Mas estava passando da hora de alguém me desentediar mesmo.
Num pulo eu tinha pegado um facão na cozinha (“Pra que diabos ela tinha um facão?”) e como não achei nada parecido com uma katana por ali, peguei um rodo velho que estava encostado no canto da parede. Ia servir.
Coloquei o facão atrás, na cintura. Aproximei-me sorrateiramente do quarto.
Era um cara. Estava de costas fazendo sabe-se lá o que. Provavelmente procurando alguma coisa de valor.
Mas era a minha chance!
O rodo literalmente rodou, e acertou em cheio a cabeça do ladrão, que foi parar na parede.
_Ai... Essa doeu... Mas quem...?
Antes que ele pudesse olhar direito quem tinha feito o galo em sua cabeça, saquei o facão e apontei para seu nariz.
Com a cara mais brava que eu podia fazer, sorri, envolta numa aura assustadora.
O rosto com expressão relaxada, os cabelos pretos caindo na testa, olhos sei lá que cor, eu não estava muito preocupada com eles. Eram meio roxos ou algo do gênero.
Estava vestido como qualquer outro humano normal, e parecia preocupado com a ponta da faca a meio milímetro de seu nariz.
_Ora, ora... Isso sim é que eu chamo de pegar no flagrante!
Aproximei mais meio milímetro o facão de seu nariz, e uma gota gigante desceu pelo seu rosto.
_Pena que o roubado aqui vai ser você!
Ele assimilou as palavras e o queixo quase caiu.
_Huh?
_Não se mexa espertinho, ou vai ter só a metade desse seu nariz nessa cara redonda!
_Ei... Espera um pouco aí... Você disse “roubado”? ... Isso é um mal entendido...
Mal entendido? O facão ficou ainda mais perto.
_Mal entendido é?
O sorriso estendeu um pouquinho.
“É. Até que não vai ser tão ruim esperar aquela idiota voltar.
A ponta da faca brilhou.
***
A visita aos meus pais tinha sido bem sucedida, e o metrô voltou mais rápido do que eu pensei que voltaria. Dera tudo certo. E eu estava muito feliz com isso.
Fora uma visita rápida, mas pelo menos agora eles não estavam tão preocupados comigo. E eu fui até o túmulo do onii-san para contar a ele as novidades e levar-lhe novas flores.
Estava me sentindo mais aliviada agora.
Ah! E também foi bom por que eu achei dois quimonos que serviriam direitinho pra mim e para Melony nas coisas que eu deixara em casa. Assim seria mais divertido ir até o festival. E eu estava ficando ansiosa.
Andei mais rápido até o apartamento, quase correndo.
“Engraçado... Estou com mais pressa do que o normal... O que será que está acontecendo?”
Suspirei.
“Espero que Melony esteja bem, no fim das contas.”
Cheguei ao apartamento e subi as escadas de dois em dois degraus. A chave demorou demais para encaixar na fechadura e destrancar a porta.
Deixo a mochila deslizar do ombro para o braço.
_Taidaima! Melony?... Onde você está?
Fui até a cozinha e ela não estava lá. Só podia ter acontecido alguma coisa pra casa estar tão...
_Como é? Não vem que essa não cola!
_Q-Quantas vezes vou ter que pedir pra tirar essa coisa da minha cara?
...
Han? Essa voz... Eu conhecia essa voz. Mas por que tinha duas pessoas na minha casa?
Corri para o quarto.
_Melony!! Huh....
Minha mochila caiu no chão, quase junto com meu queixo enquanto meus olhos se arregalavam.
Melony estava com um facão apontado bem para o nariz de...
_Ah? Sheen? O-Oque está havendo aqui?
_Esse safado estava tentando roubar a casa quando eu o peguei no flagra!
_Não é isso! Eu já te disse, isso é um mal entendido! ... Ah... Yue-chan... Explique para ela...
Pobre Sheen. Devia estar passando mal, por que estava azul.
_Você! Como sabe o nome dela? E ainda a chama pelo primeiro nome? O que você é? Um hentai!?
Sheen engasgou de raiva enquanto suas veias subiam com a irritação.
_Um o quê? Eu não sou...
_Melony-chan! Tire essa coisa perigosa de tão perto dele! Olha, ele não é ladrão não... Eu o conheço...
_Huh? Conhece mesmo esse aí? - perguntou ela, com o facão tão perto que quase furou seu rosto. Por um momento achei ter visto a alma dele quase escapulir do corpo e voltar, enquanto ele tentava se afastar da ponta afiada.
_Sim, sim! Conheço! Abaixe logo essa coisa perigosa Melony-chan!
Melony encarou ainda em dúvida o rosto pálido de Sheen e depois de alguns segundos abaixou o facão, com uma cara azeda. Parecia até desapontada... Meu Deus...
Fui acudir Sheen e fazer a alma do coitado voltar para o corpo.
Quando ele conseguiu se levantar, estava vermelho.
_O que você é? Uma psicopata? – Sheen satirizou a pergunta anterior de Melony – Não aponte essas coisas afiadas para pessoas de bem!
_Pessoas de bem? Você chama de “pessoas de bem” um cara suspeito que entre no quarto de uma garota assim do nada? Não dá pra pensar em nada mais suspeito!
_Eu entrei pela janela por costume apenas!
_Ah! Desculpe-me se o normal é entrar pela porta!
_Ah! Desculpe-me se eu não sou normal!
_Então não ache ruim ser comparado com um hentai!
_Eu não sou hentai!
_Mas parece!
Raios saíam dos olhos de ambos enquanto eles se encaravam.
Suspirei. “Oh, céus...” Entrei no meio.
_Ei, ei... Vocês dois. Foi apenas um mal entendido. Acabou; pronto!
Melony cruzou os braços e virou o rosto para o lado, bufando, com bico. Sheen voltou ao seu natural, mas ainda queria dar explicações.
_A verdade é que tirei folga para vir aqui convidar você para ir até o festival!^_^
E como já está quase começando, eu estava com pressa.
_Daí entrar na casa dos outros pela janela do quarto e não pela porta da sala. – Melony resmungou; insatisfeita com a explicação de Sheen.
_Não foi com más intenções! Quantas vezes tenho que repetir...
_ Você não é muito bom em inventar desculpas hein?
_Melony! – eu interrompi, antes que virasse briga de novo, olhando apreensiva para Melony – Parem com isso... – Virei-me para Sheen com um sorriso – Obrigada por vir até aqui por isso Sheen, nós estávamos mesmo com plano de ir até lá. Pode esperar por nós lá na sala, Melony e eu estaremos prontas já, já.
_Nós?
_Nós?
Eles se encararam de novo, com a resposta ao mesmo tempo de ambos.
_O que quer dizer com nós? Quando eu disse que iria? Não decida coisas por mim!
_Pois é Yue, deixe essa psicopata por aí mesmo...
Melony rosnou para ele. Ele mostrou a língua, despreocupado.
“Ah... Duas crianças...”
Delicadamente empurrei Sheen para fora do quarto.
_Espere só um pouco sim? Já estaremos prontas!
_Estaremos nada! Não vou a lugar nenhum com esse ladrão!
_Ladrão é a...
_Sheen!
_Hai, hai... Vou esperar na sala. Cuidado para não se arranhar, Yue-chan!
Melony rosnou de novo para ele e eu fechei a porta.
Suspirei. Enquanto os dois estivessem em quartos separados não teria problema.
_Céus... Você é mesmo um prodígio Melony... Conseguir irritar alguém tão calmo como Sheen...
_Ele é o único irritado em questão? E eu tenho culpa se ele arromba a casa e eu tento ajudar? Aff... Sua ingrata!
_Hai, hai... Vamos nos arrumar logo, sim? – interrompi sorrindo.
_Ah, sim! Eu trouxe uma coisinha linda pra você! – e mostrei o quimono branco cheio de rosas vermelhas que tinha trago para ela.
Ela olhou o quimono por quase um minuto.
_Não vou vestir isso!
_Huh? Como assim não vai vestir? Eu não trouxe um peso a mais na minha mochila para você não vestir!
_Não vou!
_Ah! Vai sim! Vem cá!
_Não! Saia de perto de mim!
_Mas ele é tão lindo Melony! E eu usei uma vez só! Ele vai servir direitinho para você!
_Nããããão!
_Melony! Volta aqui! Anda logo e tira essa roupa! Colabora vai!
_Hanh? Ei, tire as mãos daí!! Me largaaa!
_Ah! Não foi minha intenção! É que você não para de mexer! Se tirasse logo essa roupa...
Nesse instante lembrei que Sheen estava na sala, e estávamos falando alto.
“Ai não... Se ele ouviu...”
Com muito custo, muito custo mesmo; consegui botar o quimono nela, mas ela não me deixou arrumar seu cabelo de jeito algum. Então não tive escolha a não ser deixar que ela usasse o cabelo solto mesmo. Pelo menos o quimono eu tinha conseguido.
Como arrumar Melony demorou muito mais que eu; e ela queria terminar de se arrumar sozinha, resolvi dar uma checada na sala, Sheen devia estar ficando super impaciente já, o sol estava se pondo.
Mas na sala, tinha um cadáver roncando de boca aberta no sofá.
_Aff... Quem foi que estava tão preocupado em não chegar atrasado ao festival hein? E ainda dorme...
O vento veio de leve da janela e soprou os cabelos de Sheen, que ondularam.
Por um instante, meu coração parou de bater.
_Ele deve estar cansado... Vindo aqui só pra ir ao festival... Você não tem jeito mesmo Sheen...
De repente, ele abre os olhos. Levo um susto, mas não consigo me mexer.
Pareceu uma eternidade o tempo que nossos olhos ficaram fixos um no outro.
E então ele sorriu.
_Você ficou bem nesse quimono, Yue-chan!
Volto relutante pro mundo real.
_Ah... Humm...O-Obrigada...
“Agora vai ser difícil eu esquecer isso...” – fechei os olhos, corada.
_Qual é? Vocês não estavam com pressa?
Melony estava perfeita naquele quimono, assim como eu tinha imaginado.
_Você está linda nesse quimono Melony-chan!
_Ara, eu também diria o mesmo se não fosse essa cara de psicopata assassina que você tem.
“Ah não. Os dois juntos na mesma sala de novo!”
Antes que ela pudesse fazer algo além de fuzilá-lo com o olhar por que ela estava com muita vergonha por causa das roupas, interrompi:
_Então vamos logo!
Peguei os dois pelo braço e descemos as escadas na maior das carreiras e Melony perdeu a timidez e começou a xingar por que ela quase caiu ao tropeçar em um dos degraus e Sheen riu.
Saímos apressados na rua até o festival. Melony desgarrou o braço da minha mão dizendo que sabia andar sozinha e continuou andando um pouco atrás de mim e de Sheen.
Eu ri e depois comecei a pensar antes de perguntar:
_Ah! O que será que eu vou comer primeiro?
Sheen pareceu se animar também.
_Eu definitivamente vou comer dango primeiro!
_Dango é ótimo! Acho que vou pegar um mitarashi!
_É mesmo! Kakiage também é bom!
_Tempura também!
_Teppanyaki!
_Soba!
_Udon!
_Yakissoba!
_Yakitori!
_Miso ramen!
_Shoyu ramen!
_Takoyaki!
_Okonomiyaki!
_Teriyaki e,
_Curry!
_Curry!
Rimosaofalarjuntos.
_Sem falar nas danças!
_Bon odori é a melhor!
_Eh? Matsuri dance é mais engraçada!
_Tanko bushi também é!
_Yosakoi soran também! – ri – Mas não tem nada melhor que as barraquinhas de brincadeiras! Eu não volto para casa antes de pegar um daqueles peixinhos!
_Hmm... Pegar aquilo é difícil né?
_Mas é divertido!
Continuamos a conversar assim e Melony parecia ouvir tudo, mas não dizia nada.
Chegamos até o festival e estava tudo lindo! Cheio de lâmpadas coloridas e as tradicionais lâmpadas japonesas. E já estava cheio de gente já.
Corremos por todo lado, e não demorou muito para Melony se soltar. Ela mais comia que falava a princípio, mas depois quase extrapolou o seu eu normal. E como sempre fez arruaça com quase todas as barracas, principalmente aquelas em que era mais difícil conseguir o que queria.
No fim ela conseguiu uma montanha de brindes (apesar de que a maioria foi conseguida a base de extorsão) e não ia dividir com ninguém, pelo visto.
Eu e Sheen passamos uns maus bocados para tirá-la de algumas barracas.
Mas foi tudo divertido e engraçado.
Quando conseguimos acalmar Melony um pouco mais, eu e Sheen decidimos levá-la para um lugar com menos gente antes que ela causasse mais problemas.
Fomos até um local perto do festival, um pouco para trás. Subimos muitas, muitas escadas até chegarmos a uma mini-pracinha, e não tinha ninguém, por sorte.
Lá de cima, dava para ver Karakura e todo o movimento no festival, todas as luzes da cidade.
Karakura ficava linda a noite com todas aquelas luzes brilhando. Ficamos os três ali admirando a paisagem enquanto a brisa noturna vinha dançando leve e calma até nós, quando ouvimos uma voz atrás de nós...
_Ara, ara... Alguém já descobriu meu esconderijo secreto.
Só eu e Sheen nos viramos para olhar.
E eu petrifiquei, quase podendo ouvir aqueles órgãos macabros que aparecem em filme de terror.
Sebastian caminhou calmamente com seu cigarro até perto de nós.
“Por isso Melony foi a única a não olhar, ela conhece a voz dele... Ugh... Mas que hora para Sebastian aparecer...”
A aura animada de Melony se transformou numa aura negra e tenebrosa.
“Ah... Lá vêm problemas...”
Sebastian então viu Melony.
_Ah... A rebelde também está aqui?
A aura negra de Melony se triplicou.
_ Você é corajosa hein Kouji-san! Trazer Melony deve ter te dado trabalho.
“Apesar de que aquilo era verdade, ele não precisava ter me posto no meio da briga... Eu mereço...”
As mãos de Melony tremeram. Ela caminhou até passar por nós e por Sebastian, até ficar atrás dele.
_Não fique bancando o sabichão velho. Falar asneiras vai te fazer engolir seu cigarro.
Sebastian soprou a fumaça calmamente. Acho que já tinha prática com as provocações de Melony.
Então ele olhou para ela pelo ombro com um sorriso sarcástico.
_Tá aprendendo a me responder também hein?
As veias do rosto dela subiram.
_É mais fácil fazer isso agora que não estou mais sob cuidados de um certo velho pervertido, sabe?!
As veias do rosto dele subiram.
_Também ficou mais fácil pra mim não ter uma certa delinqüente juvenil sob meus cuidados.
Duas gotas desceram. Uma na minha testa e outra na testa de Sheen.
“Ai meu Deus, por favor...”
Nesse instante, ouvimos um estrondo no céu.
Nos viramos surpresos para olhar.
As cores dançavam no alto, brilhantes.
Fogos de artifício.
Então as discussões deram lugar a exclamações.
Era tudo tão lindo...
“As cores fazem milagres...” – pensei, aliviada por não ter que ouvir mais nenhuma briga.
Mas parecia mágica mesmo. Eram apenas cores brincando no céu.
Mas na terra, eram fogos e quatro pessoas admirando-os. Como velhos amigos.
As luzes brilhantes aqueciam o coração... Faziam desavenças desaparecerem. Como aquilo não podia ser mágica?
Aquela noite não podia ser mais perfeita.
Eu estava ao lado das pessoas que mais amava vendo as coisas que mais amava: Minhas cores, fazendo mágica no céu... E nos nossos corações.
***
Quase coloquei em prática meu plano
de “chutar a bunda de Sebastian”. Não fosse aquela mistura extasiante de cores
no céu, eu...
Meus olhos brilhavam com elas.
Ficamos vendo o espetáculo no céu e
esquecemos o que fazíamos.
Antes que acabassem os fogos, o
celular de Sebastian tocou. E ele foi saindo com pressa.
_Aonde você vai seu bonzão? Ainda
não terminei com você! – gritei fula de raiva.
Ele acenou sem olhar para trás e
disse:
_Sinto deixar para a próxima mas tenho assuntos urgentes a
tratar.
Urgentes. Eram sempre mais urgentes
que qualquer coisa é?
_Tá fugindo é?
_Claro que não, idiota! - ele virou
apenas a cabeça para responder, de longe – Só que faço as coisas que
tenho que fazer na hora que tem que ser feitas.
Rosnei, mas sabia que ele era assim.
E aquela resposta foi um pouco... Surpreendente, mas não importava.
“Você está fugindo sim, seu imbecil!”
_Mas seria uma
pena não te ver nessa yukata. Ahahaha!
Senti meu rosto corar, mas não sabia
se era mais de raiva ou de vergonha.
_Idiota! – gritei.
Ele soltou uma risada e sumiu.
_Hmm... Que bonitinho né Sheen?
_É –É mesmo.... – respondeu ele,
segurando a boca pra não rir.
Aqueles idiotas estavam tirando onda
com a minha cara?
Quase peguei fogo de raiva.
_O que é que há com vocês dois? Aff,
que saco! To indo pra casa.
Eles riram.
Voltei pisando duro e ainda tive que
agüentar os comentários idiotas de dois idiotas.
“Que raiva!”
Subi no terraço ao chegar ao
apartamento para não ter que ouvir mais nada, mas infelizmente fui seguida.
_Qual é? Vão ficar me enchendo até
quando?
O idiota riu e a idiota se agachou
perto de onde eu estava sentada e cochichou:
_Ei, Melony... Será que você não
gosta do Sebastian-san não?
0,1 segundo
0,2 segundos
0,3 segundos
0,4 segundos
0,5 segundos
0,6 segundos
0,7 segundos
0,8 segundos
0,9 segundos
...
_O QUÊ??
Você é idiota mesmo
não é? Essa foi a coisa mais idiota, absurda e ridícula que eu já ouvi na minha vida!
Eles riram.
_Por que? Sebastian e você se conhecem
há tanto tempo não é? – ela ainda insistiu.
_Você conseguiria gostar do seu pai?
_Huh? Claro que não né!
_POIS É A MESMA COISA!
Ela riu.
_Entendo. Então ele é como um
pai pra você né?
Corei, e dessa vez deve ter sido de
raiva.
_Pare de falar coisas idiotas! –
resmunguei, virando as costas.
Os dois riram de novo.
Passou um tempo e eles pararam de me
encher afinal. Sentaram-se também ali no terraço.
O céu estava inundado de estrelas.
Os dois ficaram ali rindo e
conversando bastante tempo, comentando o que acontecera no festival. Quase me
crucificaram pra falar a verdade. Eu nem tinha dado tanto defeito assim... ¬¬
Então depois de um tempo houve silêncio.
O vento brincou com o cabelo de todos enquanto olhávamos as estrelas.
Então Sheen se levantou e disse que
precisava ir.
“Hummm.... Ela acha que eu não vi, mas seus olhos estavam
brilhando enquanto os dois conversavam. Se brincasse dava pra escutar até o som
do coração dela batendo rápido. E agora que ele falara que ia embora, os olhos
dela se apertaram, o coração quase parou.”
Sheen, despreocupado como sempre,
tirou dois pirulitos do bolso e jogou para nós duas.
“Ah! Que droga, esse maldito percebeu que eu estava olhando!”
Virei-me, rápida.
Ele riu, e disse:
_Se cuidem! – e desapareceu com o
vento, deixando uma garota de olhos brilhantes olhando para o céu onde ele se
fora, como se ainda pudesse vê-lo.
“Aquele idiota... E ainda diz que não roubou nada dela.”
Sheen entrou também no meu mundo; pela
janela do quarto, ainda por cima.
De todas as minhas vagas memórias, o primeiro dia em que o meu irmão foi para aquele colégio, foi um dia inesquecível, me lembro muito bem de cada detalhe como se fosse ontem.
Matsui saiu do carro da Mizuki-san, uma velha amiga nossa, que de velha não tinha nada: Uma mulherona, cabelos longos, um super corpo e super peitos. Ela toda em si era atraente. Tanto que enquanto dirigia para levar Matsui-kun até o colégio, os caras que passavam pelo carro, tanto motoristas quanto pedestres, arregalavam os olhos e seguiam o “carrão” até a vista não poder mais. Matsui-kun ficava zangado com as voltas que a Mizuki-san fazia só para receber mais elogios e assovios. Ela sempre fazia isso. E riu com as reclamações dele.
Matsui-kun tinha dezesseis anos e eu seis. Ele estava saindo do ensino fundamental e entrando no ensino médio. Para mim, aquilo era assustador, para ele era só mais um degrau a subir.
_Então tchau! – disse Matsui com um sorriso, encostando a porta do carro e virando-se para sair.
Então, vendo meu irmão se afastar; senti um aperto no coração e me senti muito, muito triste.
Empurrei a porta e saí do carro quando gritei:
_ Matsui! Matsui! Não vá!
Então percebi as pessoas ao nosso redor se virando curiosas, para saber o motivo dos gritos e por um instante me senti com medo do Matsui ficar bravo comigo pelo escândalo. Mas ele não era assim. Ele virou-se para mim, abaixou-se e estendeu os braços sorrindo.
Corri para ele, meus olhos brilhando de esperança, meu rosto corado de felicidade, como sempre acontecia quando eu ficava feliz. Ele me abraçou forte e depois me afastou de si com delicadeza e disse:
_Yue-chan. Eu tenho que ir para a aula agora. Eu preciso estudar ou jamais poderei trabalhar e cuidar de você eu mesmo. Nós não podemos depender da Mizuki-san para sempre.
_Eu sei, mas não quero que você me deixe...
Algumas garotas se interessaram na cena.
Matsui riu e afagou minha cabeça, carinhoso.
_Yue-chan, eu ficarei com você para sempre, mas para que isso aconteça você tem que me deixar estudar.
Olhei para ele, com os olhos marejados.
_Ei... – disse ele me olhando com os olhos apreensivos – não faça essa carinha triste, apesar de todas as carinhas da Yue-chan serem lindas, eu prefiro mais a sua carinha feliz.
Com o sorriso que ele deu não tinha como não ficar feliz.
_Vamos nós dois nos esforçar muito hoje, certo?
Meio relutante, assenti. Percebendo que eu ainda hesitava, ele piscou para mim, cochichando:
_Depois da aula vou passar naquela loja de doces que a gente sempre vai e vou comprar um montão para você!
As lágrimas sumiram e meus olhos brilharam.
Ele deu uma risada, vendo que a proposta surtira efeito.
_Ei, Matsui-kun!- Mizuki gritou do carro – Não faça essas promessas ou terei de agüentar o dobro de uma garotinha querendo que você volte logo para casa.
Matsui sorri, se desculpando. Depois olha para mim e diz:
_Ouça Yue, não dê trabalho para a Mizuki-san certo? Comporte-se bem.
_Esta bem... – eu disse, querendo chorar de novo.
_Ei, ei, meu beijinho da sorte! – e virou o rosto para mim enquanto apontava para a própria bochecha.
Estiquei meus pés o máximo que pude e beijei seu rosto. Ele usava um perfume tão bom que dava vontade de ficar eternamente ali, beijando-o.
Ele sorriu um sorriso bem grande e se levantou, dizendo:
_Yosh! Agora posso estudar direito! – curvou-se para me desejar – Eu espero que minha linda princesinha tenha um ótimo dia hoje!
Era tanto carinho que não pude evitar sorrir e concordar. Entrei no carro enquanto ouvia os comentários:
“Ai! Ele não é uma gracinha?”
“Que coisa mais fofa, eu quero um irmão desses!”
“Que gatinho mais gentil, eu também quero!”
Não entendi muito bem o que elas queriam dizer, mas fiquei com ciúme do meu irmãozão.
Eu acenei para ele até ele entrar no colégio e o carro virar a rua.
Lembro que esperar Matsui voltar para casa nesse dia foi um martírio para mim. Antes ele estudava de manhã, e quando eu acordava, ele já estava em casa.
E realmente, Mizuki-san teve que suportar o dobro da minha impaciência e ansiedade pelo retorno dele. Eu estava com medo dele não voltar, de alguma maneira, ou de alguma coisa acontecer no colégio que ele voltasse diferente do normal.
Mas Matsui voltou e estava com o mesmo sorriso de sempre, e quando ele me abraçou todos os meus medos e receios desapareceram.
_Ah! Bem vindo de volta Matsui-kun! Como foi o primeiro dia?
_Obrigado Mizuki-san! Foi ótimo!- disse ele corando de felicidade, como eu corava.
_Ah! Não posso me esquecer!- Pegou a bolsa – Como prometido, os doces!
_Oba! – gritei feliz.
Ele soltou uma risada enquanto puxava o zíper da bolsa. Então a bolsa sumiu das mãos dele e foi parar misteriosamente nas mãos curiosas de Mizuki-san.
_Han? O que é isso que eu vi aqui dentro em? – disse escancarando um sorriso.
Matsui corou e gritou:
_Ah! Mi-Mizuki-san! Isso é meu! Devolva-me!
Mizuki ficou interessadíssima na reação dele, o que a fez ficar mais incentivada a olhar dentro da bolsa e confirmar as suspeitas com uma risada alta.
_ Matsui-kun! Que gracinha! No primeiro dia de aula você já arrasa corações de tantas garotas! Olhe só quantas cartinhas de amor!
Matsui estava quase fervendo de vergonha quando sapateou e gritou, estendendo a mão, tentando pegar a bolsa, mas em vão. Uma vez que alguma coisa nas garras de Mizuki, nada era capaz de tirá-la de lá, assim como nós caímos e nunca mais conseguimos sair. E isso era bom, logicamente. Mas Matsui não gostava nem um pouco da idéia de compartilhar pertences pessoais com ela.
_Mizuki-san! Devolva-me!
Mizuki continuava dando risadas altas enquanto rodeava fugindo das mãos de Matsui, divertindo-se ainda mais com o constrangimento do pobre. Eu só olhava, sem entender.
Mizuki abriu a bolsa, pegando as cartas.
_Olhe só! Uma, duas, três... Seis... Oito cartas! Céus! Você é realmente popular, Maaatsuuuiiii-kuuuun! – Ela disse, enfatizando o kun, o que o deixava ainda mais envergonhado.
Finalmente conseguindo pegar as cartas e a bolsa, Matsui faz uma careta, mostrando a língua para ela e segura a bolsa firme entre os braços.
_Mizuki, você é muito curiosa! – disse ele tentando fazer uma cara de nervoso, o que claramente não conseguia.
A tentativa de Matsui de fazê-la recuar com a cara feia; teve efeito contrário. Ela colocou as mãos na boca e disse estupefata:
_Ah! Que fofo! Acho que vou desmaiar! Matsui-kun fazendo cara de nervoso... Que fofooo! – e pulou para abraçá-lo, mas obviamente o peso do corpo dela fez com que os dois caíssem no chão. Enquanto ela o abraçava freneticamente, ele tentava desesperadamente sair de baixo dela.
_Mizuki-san! O que está fazendo? Você está me sufocando com... Esses... Esses... –corou feito uma panela de pressão- p-p-peitos! Mizukiiii!
Ela só continuava a dar risadas altas, achando a coisa mais engraçada do mundo. Então se sustentou em um braço só, chegando seu rosto mais perto do dele, fazendo-o ter uma leve parada cardíaca, de apavoramento.
_Então, Matsui-kun, o que pretende fazer com todas essas cartas em?
_C-Como assim o que pretendo fazer com todas essas cartas? Vou guardá-las, é lógico.
Mizuki olhou para ele surpresa, desapoiando o braço:
_Ah! Matsui-kun, isso está errado! Você deveria escolher qual das cartas você mais gostou e ir atrás da garota que a escreveu... – e parou para pensar por um segundo, continuando – Mas pensando bem, isso seria muito certinho! Então você deve ir atrás de todas! – E soltou uma gargalhada.
Matsui olhou para ela cético, e depois disse:
_Mizuki-san, eu não vou fazer isso!
_Por que não? – riu ela- eu também fazia isso quando estava no colégio- segredou ela.
_Não me compare com você!
_Ora, quanta crueldade! – disse ela se apoiando no braço novamente, enquanto ele se remexia incansavelmente tentando se livrar dela.
_Eu não tenho a capacidade de escolher uma das garotas e magoar os sentimentos das outras!
Mizuki a boca de felicidade.
_ Matsui-kuuuun! Você merece um beijo!
_Uaaaaa! – Não chegue assim perto de mim sua peituda pervertida!
Mizuki fingiu estar magoada, fazendo drama:
_Ah! Fui rejeitada! Acho que vou chorar!
_EU é que devia estar chorando aqui! – reclama ele se remexendo ainda mais.
Ela ria muito. Mas eu não estava feliz.
_A culpa é minha? Matsui-kun está bravo comigo?
Os dois pararam de se mexer e olharam para mim.
_Han? O que está dizendo Yue-chan? – perguntou Mizuki perplexa.
_Não é isso Yue. Eu não estou bravo com você – e virou-se com uma careta para Mizuki – estou bravo com os pais da Mizuki que não ensinaram pra ela que mexer nas cartas dos outros é falta de educação!
Ela riu de novo e eu perguntei:
_Então você não vai embora?
_O que? – Foi a vez de Matsui perguntar- O que está dizendo Yue? De jeito nenhum. – disse ele, finalmente conseguindo escapar de Mizuki com a brecha que ela deu ao prestar atenção em mim, chegando perto de mim e se abaixando – Não irei a lugar algum. Meu lugar é aqui com você, e aonde quer que você estiver.
Os doces não eram tão doces quanto suas palavras.
Nenhum doce no mundo era.
Fim
Yue... YUE!
“Eu o ouvi gritar meu nome e quando virei minha cabeça para olhar, vi um carro vindo em minha direção.
Naquele segundo, tudo se misturou.
Medo, pavor e o choque que paralisou meu corpo. Por mais que eu tentasse não conseguia me mexer e por mais que tentasse não conseguia para de pensar outra coisa a não ser:
“Eu vou morrer. E Matsui me perderá para sempre.”
Então no mesmo segundo, vi uma mão se estender perto do meu rosto, e num pulo, um corpo quente tapou a visão do carro descontrolado à minha frente.
Naquele segundo tudo se misturou. Quando Matsui me abraçava, todos os meus medos e receios desvaneciam em volta de seus braços. Nós nos misturávamos como se fossemos um só.
Todo o carinho que ele tinha tomava o lugar dos meus medos.
Era uma troca injusta. Mas ele nunca se importou.
Sim, tudo se misturou naquele segundo...
Seus braços me apertaram junto a ele, se misturando com meu corpo paralisado. As batidas descompassadas do meu coração se misturaram com as dele, sempre calmas, mesmo agora.
Seus dedos se misturaram nos meus cabelos enquanto ele puxava minha cabeça para mais perto do seu peito. Nossos sentimentos se misturaram.
E a voz dele, a mais linda melodia que eu já ouvira na vida, e a que eu mais amava, se misturou com o som do carro freando, mas ainda pude ouvi-lo quando ele sussurrou de leve ao meu ouvido:
_Eu te amo...
Então tudo a minha volta desapareceu.
Nada mais importava, ele estava ali, comigo, eu não tinha nada do que ter medo.
Enquanto aqueles braços me envolvessem eu jamais sentiria medo.
Quando abri novamente meus olhos, ele estava ao meu lado, não me apertava forte, mas mantinha os braços ao meu redor e estava com o rosto perto do meu, os olhos fechados.
Sempre achei que Matsui tinha um rosto tão calmo quando dormia... Ele parecia... Feliz.
_ Matsui? – minha voz estava rouca, embargada em minha garganta.
Estendi a mão para tocar levemente seu rosto com carinho para acordá-lo, como sempre o acordei quando era bem pequenininha e ele dormia ao meu lado, por que eu tinha medo de dormir e quando eu acordasse, ele não estivesse mais lá. Mas ele sempre estava.
Seu rosto pálido estava frio. E o frio percorreu meus dedos até penetrar profundamente em meu coração.
“You don’t see me, but I know you’re all I need.”
Nós estávamos juntos. Mas era como se eu estivesse sozinha.
“I heard a sound... The sound of my own heart beat...”
Eu senti meu medo de menina voltar se alastrando em todo meu corpo.
“My heart is beating, all alone...”
Levantei-me e segurei seu rosto, ainda esperançosa:
Meu medo chegou até meus olhos quando vi escorrendo ao seu lado, junto com sua vida, um líquido de cor púrpura. O sangue da pessoa que eu mais amava no mundo.
“I couldn’t say, there so much more to say...”
Meu medo transformou-se em desespero.
Eu gritei seu nome, mas ele não acordou.
Eu sacudi seu corpo, mas ele não acordou.
“I wish you call my name... Take my hand, but I guess, my heart will break again…”
Meus gritos se misturaram com as lágrimas incessantes e o desespero com minha inconformação.Não ele. Não Matsui. De todas as pessoas do mundo, ele era a única especial para mim. A única que não podia... Morrer.
A multidão que nos cercava cada vez mais; assistia a cena que se passava.
Mas éramos só uma garota gritando e balançando um corpo estendido no chão, para deleite de mórbidos curiosos.
Eu estava desesperadamente tentando fazer nossos sentimentos se misturarem de novo.
Mas ele não estava mais ali...
Pela primeira vez ao abrir meus olhos, ele não estava mais ali.
Antes que tudo, tudo o mais desaparecesse, um grito desesperado e aterrorizante passou pela minha garganta..
“Every time I say... I Love You...”
Abri meus olhos completamente marejados de lágrimas, soluçando. Minhas mãos tremiam.
Levantei-me e fui lavar o rosto na pia do banheiro.
Não quis olhar para o espelho.
Quantas incontáveis vezes eu já tivera aquele sonho?
_Matsui... -susurrei; meu cabelo caindo no rosto, meu corpo tremendo.
Ele sempre dizia que a pessoa que morre perde todas as oportunidades que tinha na vida, mas ele não sabia que quem fica vivo é quem mais perde...
As lágrimas não paravam de cair.O que Matsui teria dito? O que eu poderia dizer para confortá-la? Eu podia ver que ela estava triste.Eu podia sentir que ela estava triste.Era como se estivéssemos ligadas.Acontecera tão rápido, que nem vi quando aquele holloe me pegou nas "mãos" e me segurou com tanta força que achei que fosse explodir. Mas não doía tanto quanto aquela dor.A dor de estar sozinha. De ser diferente de todos.Depois que Matsui se foi, eu fiquei sendo diferente de todo mundo. Meus colegas de escola não me tratavam do mesmo jeito, até meus pais não me tratavam do mesmo jeito. Nem mesmo a Mizuki-san*. Por isso eu me mudara para Karakura.As pessoas não me viam como a Yue, talvez me vissem como a garota que matou o próprio irmão. Ás vezeseu pensava assim. E me sentia triste. Me sentia...Sozinha no meio de uma multidão.Acorrentada na escuridão.Eu não queria aquilo. Para ninguém. E Melony parecia compartilhar das mesmas correntes, embora fossem um pouco diferentes das minhas, eram correntes, no final das contas.Eu queria tirá-la de lá. Abraçá-la.Então as palavras saíram. Pude contá-la um pouco da história que meu onii-san sempre me contava. Queria que ela soubesse o quanto era especial. O quanto queria que fôssemos amigas. Não estaríamos sozinhas se tivéssemos uma à outra.E nossas correntes não apertariam tanto.Ela me olhava surpresa, boquiaberta. Os olhos tremiam.Então ela abaixou a cabeça por alguns instantes. Sem levantar a cabeça, ela suspendeu o braço para cima, mas tremia, como se estivesse lutando contra si mesma._Solte-a...
Olhei para ela, sem entender ao certo o que ela estava fazendo.
_Solte... A minha liberdade! e ela gritou abrindo a palma da mão, deixando a mim e a Sebastian, que assistia a tudo lá em baixo, espantados.Um raio gigante de sete cores saiu de sua mão e veio alastrando o céu até onde eu estava; cercando o hollow e a mim.
E as cores me enlevaram, era como se as cores da minha roupa estivessem se dissolvendo nas cores que me cercavam; então me puxaram da mão do hollow, que por sua vez se contorcia e arranhava o corpo, como se estivesse queimando. Ele ficou louco, e começou a soltar um cero após o outro. Os ceros eram de cor vermelha, e mal saíam de sua boca gigante e se misturavam com o vermelho entre as sete cores que Melony controlava, desaparecendo, sem nem mesmo chegar perto de nós.
Depois que as cores de minha roupa me afastaram do perigo e me trouxeram para perto de Melony, ela moldou as cores e formou uma espada de bainha branca e lâmina preta.
Não vi quando ela sumiu, reaparecendo a cima do hollow.
Sua espada cortou o monstro em dois enquanto parecia absorver as cores do hollow estivesse sendo absorvido pela cor da lâmina.
A lua reapareceu atrás das nuvens que a estavam cercando.
Melony abaixou o braço enquanto as cores que a seguiam se fragmentavam e sumiam, aos poucos deixando sua mão vazia.
Então ela caiu ajoelhada no céu invisível do céu e seu corpo pendeu para frente. As poucas cores que restaram a carregaram lentamente do céu até o chão, como se ela fosse um anjo.
Corri até ela ao vê-la cair e consegui pegá-la antes que o último brilho colorido desaparecesse.
O rosto dela estava cansado e suado. Respirava apressadamente.
_Você me salvou de novo... – eu disse sorrindo de leve.
Melony apenas olhou para mim sem nada dizer.
_Obrigada Melony-chan... – comecei, mas ela me interrompeu:
_Cale a boca, idiota... Eu já te disse... Pra não me chamar por chan...
Seus olhos se fecharam ela apagou, exausta.
Nesse minuto, um shinigami de cabelos negros e olhos cor - de - ameixa aparece por perto. Um rosto muito conhecido então.
_Sheen! – grito.
_Yue! Você está bem? – ele pergunta, correndo com seu shunpo até mim – Eu recebi um relatório de um hollow incomum nos arredores de onde você mora e vim o mais rápido que pude, mas...
Ele olhou ao redor, Sebastian a muitos metros de distancia e Melony no meu colo, e não viu hollow nenhum.
_Ué... Parece que minha ajuda não vai ser muito necessária aqui né?
Ri.
_Ela fez isso?
Acenei com a cabeça, orgulhosa.
_Ela lutou para me salvar... Lutou por mim...
_Han... Quem é essa aí?
Olhei para o rosto de Sheen com as maçãs do rosto coradas de felicidade:
_Minha amiga!
***
O dia foi surgindo e a luz do sol raiou através da vidraça da janela. O vento soprando de mansinho e ondulando a cortina azul do meu quarto. Sebastian, Sheen e eu estávamos perto da cama, onde Melony permanecia deitada, inconsciente em seu sono.
_Ah... Eu vou morrer me surpreendendo... – resmungou Sebastian, no seu mau humor de sempre.
_Que exagero - respondi rindo.
_Mas que bom que tudo acabou bem. – disse Sheen, agora a par de toda a situação.
Sebastian tinha quebrado o osso da perna direita, mas já estava tudo bem. O levamos até o hospital e não demorou muito para colocarem o osso da perna de volta no lugar e engessarem a perna.
Eu só estava me sentindo um caco, mas pelo menos não tinha quebrado nada.
Sheen partiu após deixar recomendações, dizendo que tinha que dar o relatório da missão para a capitã. E desapareceu como sempre, levando embora seu sorriso.
Já com Sebastian não aconteceu nenhum dos dois, ele não foi embora e tampouco sorriu. Ao contrário, estava mais mau humorado do que o normal. Mas já estava me acostumando com aquilo, então não liguei.
Ficamos os dois observando Melony adormecida, de volta ao pequeno coelhinho de pelúcia, para que sua recuperação fosse mais rápida e para que Sebastian pudesse checar se houve danos na gigai.
_No final, deu tudo certo mesmo... – resmungou ele, largando a gigai de qualquer jeito num canto do quarto e se aproximando de mim e dela – Até mais do que eu esperava.
Ri.
_Estou feliz por isso.
Sebastian me olhou curioso, com uma sobrancelha arquejada, e respondeu depois de alguns minutos:
_Você deve ser realmente diferente para ela Kouji-san. Percebi isso desde que soube da primeira vez que vocês se encontraram.
Olhei para ele surpresa.
_Você conseguiu que ela fizesse tudo aquilo... Mas não é de se admirar... – ele se afastou, indo com suas muletas provisórias até a janela. – Ninguém nunca tinha dito que queria ser amiga dela. Ela tem um gênio próprio, sempre agindo da maneira que bem entende, nunca pensa no que as pessoas vão pensar ou fazer em resposta. E isso faz com que ela atraia mais inimigos e encrencas que amigos. – Ele suspirou, fechando os olhos, deixando a brisa vir no seu rosto e bagunçar alguns fios de seu cabelo. - Mas acho que você vai conseguir mantê-la na linha... Realmente, no final das contas, deixá-la por sua conta não foi tão má idéia assim.
Sorri contente. Olhei para Melony.
_Tenho certeza que não.
Toquei levemente a pequena mãozinha de Melony, a minha Atashi...
***
Capítulo #4 – A Cor da Nossa Amizade!
Sebastian ficou de plantão no quarto, enquanto eu fui verificar os estragos do apartamento.
Bom, ainda bem que aquele apartamento era diferente dos outros normais. Os donos eram humanos sensitivos que sabiam de toda aquela história de shinigamis e hollows, e o apartamento era só para pessoas do tipo. Eles também sabiam que hollows vinham principalmente atrás de nós, humanos com maior reiatsu. Por isso cobriam todos os custos, desde que feitos por hollows. Então não tinha muito que me preocupar, a não ser arranjar uma desculpa que colasse quando alguém me perguntasse sobre o imenso buraco na parede da cozinha.
Fora isso eu não estava nem um pouco preocupada. Preocupado estava Sebastian com a bronca que ia passar em Melony quando ela acordasse. E muito preocupado.
Ele cruzou os braços, sentado numa cadeira de frente para minha cama, muito nervoso.
Mas parecia que podia esperar todo o tempo do mundo para poder passar a lavada que tinha que passar em sua pequena criação, tanto que não fora embora ainda. Batia os pés no chão repetidamente enquanto ele esperava.
Ri, era engraçado vê-lo sempre irritado. Eu é que não queria ser ela quando acordasse.Fui fazer um chá com o que restara da cozinha.Passara poucos minutos desde que eu conseguira arrumar a cozinha e tinha começado a ferver a água quando ouvi gritos.
_Eu já disse que você só me dá trabalho?
_Cala esse raio de boca seu velho! Eu já disse que sua voz é irritante?
_O que foi que disse? Se eu sou irritante, você é o quê? Irresponsável!
Cheguei perto da porta, Melony virou o rosto, emburrada, mas Sebastian continuou.
_O que iria fazer caso não conseguisse derrotar aquele hollow? Ou pior! Se algo acontecesse a Kouji-san?
_Sebastian-san... – não queria ser envolvida na briga.
_Não Kouji-san! Já está passando da hora de Melony ouvir umas poucas e boas! – virou-se para ela – Acha que a Soul Society ficaria parada vendo uma kaizoukonpaku rebelde arranjando problemas por aí? Só não vieram antes por que você estava sob minha responsabilidade! Se você for pega por eles, dê adeus à sua tão querida liberdade!
- bufou e disse, nervoso – Ah sim! Liberdade... A propósito, você acha que liberdade é só sair por aí e fazer tudo o que bem entende?
Melony continuou de cara virada, sem dizer nada.
_Liberdade significa responsabilidade, também! Pessoas livres são aquelas que fazem o que devem sem serem constrangidas a fazer o que não devem! A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere. Liberdade é o direito de fazer tudo aquilo que as leis permitem. E digo mais, já que você só pensa em se divertir, fique sabendo que se você desobedece todas as regras, acaba perdendo toda a diversão.
Ele respirou fundo e continuou depois de uma pausa.
_Pessoas inúteis que não pensam nos outros são piores que aquelas que jogam suas próprias vidas fora.
_Está dizendo que eu sou pior que os humanos? – Melony se levantou, indignada.
_Sim, estou. – Sebastian respondeu sem hesitar nem meio segundo.
Eu estava ali na porta, mas era como se não tivesse ninguém ali olhando os dois brigarem. Enquanto via auras negras ao redor dos dois, pensava em qualquer maneira de separá-los.
_Ei gente... Vamos com calma... – eu disse baixo, suando.
_Não se meta!
_Não se meta!
Fui parar atrás da porta, olhando as duas criaturas medonhas no meu quarto.
“Tá, tá... Não está mais aqui quem falou...”
Os dois se olharam feio, se encarando. Então Sebastian virou as costas.
_O que te faz pensar que você é melhor que eles?
Melony fechou ainda mais a cara, mas não disse nada, confusa.
_Seu egoísmo a torna igual a eles. E você não perceber isso a torna pior.
Os olhos de Melony tremeram, arregalados.
_Não pense que me preocuparei com você, já que você não se preocupa com nada.
Sebastian pegou o casaco na parede e o celular tocou. Uma voz irritada no telefone gritava que ele estava atrasado de novo. Ele resmungou alguma coisa e enfiou o celular no bolso do casaco, batendo a porta atrás dele, que de tão forte, fez uma “rajada” de vento vir até onde estávamos.
Pisquei várias vezes, Melony estava petrificada perto de mim.
_Hmm... Melony... Você está bem?
Melony fechou a mão em punhos novamente e saiu; indo se sentar na sacada do apartamento. Já ia segui-la quando ouvi a chaleira apitar; então corri até a cozinha para desligar o fogo.
Suspirei.
“Que situação mais tensa...”
Antes de chegar à sacada, olhei para fora escondida, e vi que ela estava sentada em cima da sacada, olhando pra rua, com uma cara mais emburrada do mundo.
Cheguei perto devagar e a chamei. Mas ela não se mexe, nem diz nada. Subi a sacada com cuidado e sentei-me, olhando o sol, que começava a se pôr. Pensei um pouco e falei, olhando a linda paisagem dali:
_Melony... Sebastian... Não quis dizer aquilo...
Ela fez uma cara mais azeda ainda e continuou sem dizer nada.
_Ele só tem um jeito diferente de mostrar que está preocupado. Por exemplo, quando eu fui ao laboratório, ele ficou me falando muito tempo sobre você. E estava na cara que se preocupava! A verdade é essa, mas é que vocês são tão parecidos... – coloquei a mão na boca pra sufocar o riso, eu tinha que parecer séria, mesmo que a lembrança dos dois sempre brigando fosse engraçada – Estão sempre nervosos, sempre não pensam antes de falar. Mas eu sei que ele se preocupa por que afinal de contas foi ele quem te criou não foi? Vocês passaram tanto tempo juntos... Não tem como você não ser especial para ele.
Ela diminuiu um pouco a cara azeda, agora parecia... Triste.
_Aquele velho pervertido acha que entende tudo. – ela finalmente abriu a boca, e fechou as mãos nas pernas, mas pude perceber que elas estavam tremendo – Nunca pedi pra que ele se preocupasse comigo! E eu sou a única egoísta nessa história toda?
Ela falou alto. Olhei-a apreensiva, depois voltei a olhar a paisagem._Mesmo se ele for o culpado, vocês dois não pensam um no sentimento do outro.
Ela me olhou, surpresa. Sorri, sabia que tinha chegado ao ponto certo.
_Você sempre saía e não percebia o quanto o deixava preocupado não é? Afinal se algo acontecesse a você, ele se sentiria culpado.
Ela virou o rosto, mas eu sabia que estava mais envergonhada que nervosa.
Sabia que nunca tinha pensado desse jeito. – eu disse rindo
_Cale a boca... – ela resmungou baixo.
Continuei rindo.
_Mas você também se preocupa com ele. O problema de vocês dois é em demonstrar isso.
Ela abaixou a cabeça, encostando o queixo no joelho, sem dizer nada, mas parecia pensativa.Suspirei fechando os olhos enquanto a brisa da tarde veio leve, balançando meu cabelo.
_Nós costumamos dar valor as coisas importantes que temos depois que as perdemos. – disse com os olhos ainda fechados. – Sebastian só não quer te perder, Melony-chan.
Os olhos dela tremeram, e ela abraçou os joelhos, constrangida, pelo jeito. Ela fechou os olhos e resmungou, até se esquecendo do que eu a chamara de novo:
_Hm. Eu sei.
Sorri. No final, ela não ficava com raiva por muito tempo. Nem mesmo com Sebastian.
Ficamos ali, olhando para cima, as cores do céu mudando com o pôr-do-sol. O azul claro se tornando em laranja, que se misturava aos poucos com o rosa, o vermelho, o roxo, até o céu se tornar em um azul marinho salpicado de pequenas estrelas brancas, como a praia, salpicada de areia. Era tão bom ficar ali olhando a noite...
_Eh? JÁ É DE NOITE? Essa não! Hoje é sábado!
Com o susto, Melony me olha com uma cara de o-que-foi-dessa-vez:
_O que tem hoje ser sábado?
_O que tem hoje ser sábado? O que está dizendo Melony-c..
Melony agora me fuzilou com uma cara de me-chame-disso-e-tá-morta:
“Ops... Essa passou perto...”
_Ah! Quase me esqueci. – Sorri; uma gota escorrendo atrás da cabeça.
Ela suspirou, passando para a cara de fazer-o-que-se-você-é-idiota-né?
Continuei:
_Mas se nós não aproveitarmos o fim de semana vai ser um desperdício... – coloquei a mão do queixo, pensando – Hmm... Aonde iremos hein?
Olhei para ela, e ela me olhou com uma cara de não-faço-idéia-do-que-você-está-falando. Ri, então tive uma idéia.
_Ah! Já sei!
Agarrei o braço dela e a arrastei da sacada até no armário, peguei duas vasilhas com cosméticos e toalhas e corri com ela para a rua.
_Ei! Mas que diabos...! Para onde está me levando?
Ela puxava o braço, tentando se livrar do meu, mas não soltei e continuei correndo e rindo.
_Vamos a um banho público! Vai ser muito bo...
_Banho... PÚBLICO? Você tá louca? Não tem vergonha não?
Soltei uma risada, mesmo sabendo que quem não tinha vergonha era ela.
_Boba. É público, mas são salas separadas. Homens não entram na sala de banho feminino.
Ela não pareceu à vontade com a ideia. Eu sabia que nem era por causa dos homens, e sim de tomar banho junto comigo e mais todas as mulheres que estivessem lá. Ela nunca tinha tomado banho com ninguém do mesmo sexo, é lógico.
_Melony, eu ficaria constrangida com o oposto, você é estranha, mas dá pra entender.
O canto da boca dela subiu, e ela virou pra mim com uma cara monstruosa:
_Eu sou estranha? E pare de falar coisas com duplo sentido!!! Eusou muito mulhertáouvindo?
Ri litros. Continuamos andando e em dois tempos estávamos no banho.
_Ahhh... Isso é tão bom... Eu tava precisando muito de relaxar...
Olhei para Melony.Ela estava com uma cara entediada, abaixada dentro da água, com o rosto vermelho. Soprava bolhas na água.
_Bom? O que tem de bom em ficar de molho nessa banheira gigante? Estamos aqui há tanto tempo que você está com uma pele parecendo maracujá velho.
_Mara... O quê? Hmpf... Pessoas super ativas como você não conseguem entender o que é relaxar.
_O que foi que disse? - ela virou o rosto depois de me encarar com uma cara feia - É isso aí, sou super ativa sim, algum problema? Não é culpa minha se você tem hábitos de mulheres velhas.
_ ...Hábitos de... Quem tem hábitos de mulheres velhas ?
Minhas veias do rosto saltaram.
_Não é culpa minha se você tem hábitos de pré-adolescente rebelde.
Dessa vez as veias dela que saltaram.
_Pré-adolescente...? Quem aqui é pré-adolescente? ...
Quer brigar vovó?
_Quer tentar, pirralha-chan?
Nossas veias quase saíram do rosto, e eu joguei água em seu rosto.
_O que você fez sua velha peituda? Ninguém joga água em Melony-sama e sai impune!-Ela juntou os dois braços e uma onda gigante de água veio em minha direção.No fim, quase fomos enxotadas da casa de banho por fazer confusão, por que algumas mulheres também entraram na brincadeira, mas as mais velhas nos deduraram e fomos pegas em flagrante e nós duas levamos uma bronca da dona do estabelecimento.
Na rua, comentei: _Aff.... Aquela era uma das melhores casas de banho aqui do bairro! Agora estou marcada....
_E o que eu tenho haver com isso?
_Eu não fiz toda a bagunça sozinha, sua espertinha...
_Com certeza não -ela abriu um sorriso gigante, orgulhosa - Velhas nem conseguem fazer bagunça direito.
E soltou uma risada alta. Olhei para ela, surpresa.
Aquela era a primeira vez que estávamos tendo uma conversa normal, e era a primeira vez que ela sorria perto de mim. Fiquei tão feliz que nem liguei com o apelido. Era como se as correntes que me envolviam fossem folgando cada vez que a risada dela ressonava até mim.
_Foi divertido! - eu disse enfim, o rosto corado como sempre ficava quando eu me sentia feliz.
_É. - ela respondeu, ainda rindo.Fomos andando pela avenida que seguia o curso de um rio de Karakura, cercado por uma mureta. Os carros passavam por nós como luzes, enquanto conversávamos e ríamos da cara da dona do banho público ao ver o aguaceiro que tínhamos feito. Melony imitava-a e eu quase morria de rir.As estrelas piscavam enquanto nos observavam, talvez rindo também. Então algo chamou a atenção de Melony e ela parou para olhar na hora.Percebi que ela tinha ficado para trás e virei-me para olhar. Os olhos dela cintilavam, fixos."O que ela está olhando?" - me perguntei.Olhei para o outro lado do rio também e vi muitas cores se misturando, girando, subindo, descendo, piscando. A cor verde de destacava, mais alta entre as outras, rodando junto à roda gigante.Era lindo ver as cores refletindo na água do rio; as luzes do parque, as luzes dos prédios, dos carros que passavam correndo, todas bailando na água como se dançassem.Poderíamos ficar ali a noite toda olhando.Melony parecia extasiada quando olhei de novo para ela._... Quer ir lá?- perguntei.Ela me olhou com uma cara confusa, depois seu rosto se transformou no rosto de uma criança que acabara de ouvir que ganharia o presente de aniversário, de páscoa e natal, tudo de uma vez.Sorri um sorriso super gigante ao ver a reação dela. Peguei sua mão e corremos em direção ao parque.Enquanto corríamos, parecia que também nos misturávamos nas cores da noite.Mas nenhuma cor podia ter uma cor tão linda quanto aquela de nossas mãos dadas. A cor da nossa amizade. ***
Sempre sorrindo. Ela era sempre
assim. Não sei por que, mas enquanto eu era puxada pela mão dela até as luzes
do parque, senti como se algo não me apertasse tanto como quando eu me sentia
com raiva de não ser livre.
Talvez Sebastian estivesse certo.
Talvez não fosse tão ruim assim... Ceder
um pouco da minha liberdade...
Se o troco era aquilo...
“A...mi...ga....”
Aquelas palavras
ainda ressonavam em meus ouvidos. Minha mão apertou mais forte a dela mais
forte e sorri um pouco.
“Não tem problema ser feliz de vez em quando não
é?”
Posso ser livre
e feliz ao mesmo tempo.
“Ah... O tempo...”
O tempo em
que eu vou sair para descobrir o mundo pode esperar. Acabei de fazer uma
descoberta que superou todas que pensei ter um dia...
“A descoberta de... Ter amigos!”
O que será
essa sensação que estou sentindo? Era como se; enquanto corríamos, eu saísse do
escuro e fosse guiada por aquela mão até a luz branca... A fusão de todas as
cores...
É difícil
ver no começo quando você sai de um quarto escuro e vai para outro muito
iluminado, mas suas vistas vão pouco a pouco se acostumando. Era assim que eu
me sentia. Eu ainda não entendia tudo daquele novo mundo, mas eu sei que aos
poucos vou entender...
Agora eu
podia ver as coisas que eu via antes de um jeito diferente.
E perceber
coisas que eu jamais perceberia antes.
Sebastian...
Essa pessoa... E todas as outras que eu ainda vou conhecer...
Meu mundo
só vai aumentar agora.
E eu nem
preciso me perder por aí para encontrá-lo...
***
Me senti como criança de novo no
parque. Eu e Melony andamos muito e
fomos em todos os brinquedos. Fazia tempo que não me divertia assim.
Por um segundo... Pensei ter
visto meu irmão...
Enquanto rodávamos em um dos
brinquedos, ele estava lá... Por um segundo pensei tê-lo visto entre as pessoas
que nos olhavam. Ele deixou a cabeça pender de leve de lado e sorriu. Então,
quando olhei de novo, ele não estava mais lá.
Será que ele estava vendo tudo o
que estava acontecendo?
Será que ele estava me ajudando?
Talvez ele não estivesse
decepcionado como eu pensei que estaria...
Cheguei em casa com Melony tão
cansada e feliz que desabei no sofá e dormi sem nem mesmo trocar de roupa.
Mas enquanto meus olhos estavam
ainda quase se fechando, vi que Melony se sentou na sacada de novo e uma brisa
estava passando calma...
Matsui...
Será que ele... Estava me
ajudando... A alcançar os sentimentos dela....?...
Eu estava tão... Feliz...
***
Quando acordei, o sol batia de
leve no meu rosto. E eu estava com uma dor nas costas de matar por ter dormido
no sofá.
Fui sonolenta até a sacada e
Melony não estava lá. Antes que pudesse pensar onde ela estava, olhei a
paisagem. Era mais um dia normal em Karakura, mas parecia especialmente bonito
para mim.
“Matsui...”
Eu tinha certeza que o vira na
noite passada. E aquilo me deu forças.
Agora eu estava pronta pra tudo.
E a primeira coisa que eu queria fazer era visitar meus pais.
Estava decidido.
Corri para o quarto arrumar
minhas coisas quando vi Melony dormindo bem espaçosa no chão, e meu quarto
estava revirado. O que uma pessoa sonâmbula não faz? -.-
Ela estava com uma...
_Me-Melony? O-Onde você achou
essa camisola super sinistra?
Ela abriu os olhos um pouco,
bocejando, prequiçosa.
_Han? Hmm... Por aí....
_Por... Ai? – meu queixo quase
caiu – E-Eu não tenho esse tipo de coisa aqui!!
_Hmm... É? Hmm... Tanto faz... É
minha...
_Ah! Deixando isso de lado...
Han...
Corri até o armário, abri uma gaveta
e fui jogando um monte de roupas dentro de uma mochila grande que eu tinha. Depois
abri outra gaveta, pegando mais outras coisas.
Melony olhou a bagunça por
alguns instantes, depois olhou para a janela, distraída. Parecia mais do que
apenas sonolenta...Sentou-se, arqueou a
sobrancelha direita perguntou, afinal:
_Fugindo da polícia?
_Claro que não! – respondi
pasma. Virei-me para o armário de novo – E por que eu fugiria da polícia?
_Eu que eu que vou saber...? Apesar
de que um buraco no meio da parede que aparece da noite pro dia é algo bastante
promissor.
_Ah! Aquilo é diferente! E não
fui eu que fiz... De qualquer jeito, estou com pressa, não diga essas bobagens
em voz alta, por favor!
Continuei abaixada, abrindo e
fechando gavetas, enquanto a mochila se enchia.
Melony não disse nada, o que eu
achei estranho. Olhei com o canto do olho e ela estava de novo olhando para a
janela, o rosto sério, os pensamentos deviam estar longe. Resolvi falar então.
_Hmm... Eu decidi que vou
visitar meus pais. Faz muito tempo que não os vejo, eles devem estar
preocupados. Vou pegar o metrô das nove horas... Volto à tarde.
Melony não disse nada.
_Mas volto o mais rápido
possível. Não precisa fazer essa cara...
_Que cara? – Ela fez uma careta.
Ri.
_Ah! É mesmo! Hoje tem um
festival aqui no bairro! Assim que eu voltar, vamos até lá! Hmm... Vai ser
ótimo... Tem tanta comida... Tanta coisa divertida! Mal posso esperar! Mas
enquanto isso seria bom se você não saísse aqui das redondezas hein?
Ela me olhou com uma cara entediada.
Achei super estranho ela não dizer
nada nem a isso.
_Mas, veja bem. Não vai ser tão
ruim assim me esperar, você pode ir naquela loja de doces. A baa-san que
trabalha lá me conhece; você pode dizer que é pra por na minha conta! E... Você
pode visitar o Sebastian... Se quiser...
_Não!! Prefiro morrer! – Respondeu ela, ainda carrancuda.
Sorri meio sem jeito, mas
respondi:
_Mas seria bom se vocês dois
conversassem, de qualquer jeito...
Ela não disse nada então resolvi
terminar de me arrumar.
Melony foi comigo até a estação
sem dizer nada, ou se disse, apenas alguns monossílabos apenas.
Quando o metrô chegou, me virei
para ela, que olhava para o lado, viajando nos pensamentos ainda.
_Melony-ch...
Ela olhou de repente para mim
com aquela cara pavorosa como toda vez que a chamava assim.
_Chan? Você ia dizer
chan? Ia dizer chan não é? – ela me
perguntou, soltando fogo pela boca. – Até quando
vou ter que repetir pra não me chamar
disso?
Coloquei as mãos na frente do
corpo para me proteger das chamas que saíam de sua boca, enquanto eu ria, gotas
descendo pela cabeça.
_Eu me acostumei a te chamar
assim!
_Pois então
desacostume!
Ri. Aquela sim era a Melony de
costume. Mas eu ainda estava preocupada.
_Melony... Está tudo bem pra
você ficar sozinha?
Ela continuou olhando para o
lado com uma cara azeda.
_Baka.Quantos anos você acha que eu tenho? Sei
muito bem me cuidar sozinha.
É... Talvez ela só quisesse
ficar sozinha com seus pensamentos.
_Desculpa ^-^ . Então,
itekimássu.
Olhei bem para ela com uma carinha
felizinha.
Uma gota desceu pela testa dela enquanto eu a
encarava.
_O-O que
foi?
_Melony! Eu disse “itekimássu”!
Você tem que me dizer i-te-ra-shái!
Ela bufou, mas eu continuei
encarando-a com uma carinha esperançosa. Então ela não teve escolha. Bufou e
disse:
_...
Iterashái.
Ri, animada.
_Se cuide hein! Byebye!
Entrei no metrô e fiquei acenando
para a cara entediada dela até o metrô entrar no túnel.
***
Enquanto
eu caminhava de volta, senti minha cabeça pesar.
“Nem sempre nossas obrigações são tão ruins assim. Um acontecimento
ruim pode gerar um bom, quando você menos espera.”
“Se eu não tivesse sobrevivido teria perdido todas
as oportunidades de ver esses bons acontecimentos, como conhecer você, Melony.”
“Você é a primeira kaizoukonpaku que eu tenho!”
“Acha mesmo que ser livre é só isso?”
“Pessoas inúteis que não pensam nos
outros são pior que aquelas que jogam suas vidas fora!”
“Não pense que me preocupo com você, se
você não se preocupa com nada!”
“Nós costumamos dar valor as coisas importantes que temos
depois que as perdemos.”
“Sebastian só não quer te perder, Melony-chan.”
“A felicidade só existe com as pessoas que você ama Melony...”
As
lágrimas dela caíam...
“Eu quero que você fique comigo Melony...”
Mas eu...
“Como minha amiga!”
Não
importa o quanto eu quisesse, não poderia chorar.
Mas agora
não era hora de tentar também. Primeiro eu tinha que pensar em como dar um
chute bem dado no traseiro de alguém...
Fui para
aquela loja de doces que aquela idiota tinha me falado.
Tinham
estantes gigantes de pacotes coloridos lá dentro da loja...
Fui levada
pelas cores e levei sacolas cheias de doces.
A
propósito, aqueles malditos doces que aquela garota idiota me deixara em cima
da mesa foram a razão de eu ter começado a adorar doces... Estavam bons mesmo,
aquelas porcarias. Quanto mais eu comia, mais queria comer. O que há com essas
drogas?
Agora eu
tinha a tarde toda para fazer o que quisesse.Eu ia deitar no sofá e arrumar o meu plano de “chutar-a-bunda-de-alguém”.
***
Ah sim, eu mereço! Os posts desse blog tem vontade própria!
Me deixam editá-los quando bem entendem! Vão ver com quem estão lidando seus miseráveis....