Memórias de Melony – Biografia ![]()
Kaizoukonpakus não nascem, são criados.
Kaizoukonpakus não são humanos, nem shinigamis, nem hollow.
Somos um “meio-termo” para tudo que respira e pensa.
Essa foi a primeira coisa que eu aprendi, no primeiro dia da minha existência, já que vida é um termo indefinido no tocante as kaizoukonpakus.
Somos um “meio-termo” até mesmo para isso.
Então, como “meio-termo”; nunca nasci, mas fui criada em um laboratório secreto de um cara chamado Sebastian Julius. Essa pessoa foi a primeira pessoa, a primeira coisa que meus olhos de “meio-termo” viram.
Não sei descrever como é esse sentimento, de surgir assim, do nada. Era como “nascer”, mas ao contrário dos bebês humanos, meu desenvolvimento era anos mais rápidos e eu já fora criada sabendo fazer muitas coisas, como por exemplo, falar.
Lembro-me que essa pessoa ficou do meu lado falando por horas. E me ensinou muitas coisas, as coisas que eu não “nascera” sabendo.
Meu mundo era aquela pessoa, aquele lugar apenas. Eu desenvolvi certa curiosidade pelas coisas que me rodeavam. Sebastian tinha estantes gigantescas de velharias nos fundos do laboratório. Era interessante mexer naquilo tudo, enquanto Sebastian dava as escapulidas dele para for a do laboratório, mas eu nunca soube o que tinha lá fora.
Sebastian era uma pessoa meio fria; sempre sério. Mas isso para quem o conhecia pouco. Com o tempo eu fui descobrindo que ele, como qualquer outro humano, tinha alguns “pontos fracos”. É lógico que eu demorei uns bons dez anos para descobrir alguns deles.
Foram anos que eu passei ao lado dele, ajudando-o com suas experiências, cooperando sempre que possível das mais diversas formas. Eram pesquisas meio malucas, mas todas eram interessantíssimas. Sempre ficava ansiosa por fazer parte delas.
Fui descobrindo cada cantinho do laboratório e da vida, aos poucos, e percebi que coisas estranhas iam acontecendo comigo. Sebastian dizia que aquilo em humanos se chamava “sentimentos” ou “emoções”.
O melhor de tudo era ver como ele ficava fulo da vida quando aconteciam explosões em suas experiências, ou algo de errado acontecia de alguma maneira. Ele praguejava por dias e eu ria disfarçadamente por dias.
Sebastian tinha seus momentos de gentileza. Sempre nos seus desaparecimentos, me trazia alguma coisa, como roupas, junto com as novas tralhas que arranjava pra seu laboratório. Eu não fazia idéia do por que de usar as roupas que ele me trazia, mas ele quase deu um ataque cardíaco fulminante quando me cansei delas e comecei a andar sem.
Então, desde esse dia, ele me obrigava a não sair do meu quarto sem me vestir, dizendo que apesar de eu ser uma kaizoukonpaku, não deixava de ser fêmea.
_E o que tem isso?
As veias de seu rosto quase saltaram para for a enquanto ele gritava que não queria saber de ninguém andando sem roupas pela casa dele.
_ Mas essas roupas incomodam. É mais prático...
_Nem pensar! Está me ouvindo? Nem pensar!
_ Aff… Tanto faz… - resmunguei.
Um dia, mexendo nas estantes do laboratório enquanto Sebastian saíra, encontrei um quarto enorme com estantes cheias de livros. Pilhas e mais pilhas de livros. De todos os tamanhos, de todo jeito. Livros de história, livros científicos…
Comecei a lê-los, com muita curiosidade. Livro após livro, eu ia entendendo cada vez mais dessas coisas de humanos, quase todos falavam deles. Um dia, até achei um bastante promissor, que me fez entender o porquê de Sebastian ficar tão furioso com meu desgosto com roupas.
“Hmmm… Interessante…” – pensei, rindo.
Nos livros, tinham paginas ou descrevendo paisagens ou mostrando-as. Lugares diferentes, humanos diferentes. Li com tanta avidez que os livros que eu lera faziam montes. E nem percebi que Sebastian me flagra, de volta de seu desaparecimento.
Ao ver a pilha de livros espalhada por todo lado, Sebastian quase deixa a xícara de café que ele segurava cair.
_O que está fazendo, MELONY?????
Ah sim. Agora ele parecia realmente furioso. Levantei-me num pulo:
_Nada... Só olhando essas tralhas velhas que você tem por aqui.
Sebastian “adorava” quando eu chamava algumas das “relíquias” dele de “tralhas, velharias, quinquilharias” e coisas do tipo. Mas respirou profundamente, e voltou ao seu frio autocontrole.
_Você morreria se me perguntasse se pode ou não mexer nas minhas coisas? E mesmo se não soubesse, porque diabos você tem que deixar tudo espalhado? Sabe muito bem que odeio coisas fora do lugar!
_Ah é... – concordei- nem percebi.
Ele me olhou com uma cara incrédula.
_Como não percebeu? Tem mais de duzentos livros espalhados aqui!
_Estava tão absorvida que nem vi o tempo passar- sentei-me de novo para pegar o livro que estava lendo – Esse aqui tem tantas gravuras interessantes...
Olhei fixamente para a página que estava aberta, e Sebastian me olhava, ainda incrédulo.
Suspirou, e por fim, chegou mais perto para olhar que livro eu estava lendo.
_Isso é um atlas.
_Atlas?
_É... Você sabe; mapas do mundo, essas coisas...
_Uau! O mundo é assim tão pequeno? – perguntei sarcástica.
_Isso é uma representação cartográfica! – ele me responde meio nervoso.
_Hm... E onde estamos nesse mapa?
Então ele apontou o dedo para uma pequena ilha no canto do mapa, quase no fim do mundo.
_Aqui, no Japão.
Passamos horas assim, com ele me explicando minhas muitas de perguntas, e parecia interessado na minha curiosidade.
Olhei extasiada para a pequena ilha onde estávamos e nem percebi que ele me observava de novo.
_Você quer ver... Como é lá fora? – perguntou.
Levantei meu rosto surpresa. Depois de alguns segundos, meu rosto se transformou e eu abri um mega sorriso.
_E isso é pergunta que se faça? – disse, levantando-me.
_Ótimo. Sairemos amanhã cedo então.
Nunca uma noite demorou tanto para passar. Antes que o sol nascesse, eu já fora bater na porta do quarto dele umas três vezes. Na quarta vez, ele saiu do quarto bufando de raiva e me mostrou no relógio a partir de quantas horas significava o “cedo” dele.
Ás 8 horas; estávamos saindo de casa, na moto preta de Sebastian. Moto meio maluca, eu acho. Mas corria pra caramba também.
Era a primeira vez que eu saía do laboratório. Não tinha nada mais emocionante.
Quando a moto deu a partida, o vento bateu forte e saímos quase arrancando asfalto.
Eu piscava para ver se era um sonho. Não que kaizoukonpakus sonhem, mas parecia um.
Fomos até a cidade, e nunca vi tantos humanos na minha vida. Sebastian me levou para vários lugares, e em cada um eu fazia birra pra não ir embora, mas ele acabava me puxando até a moto de qualquer jeito.
O sentimento do vento batendo no meu rosto dava uma sensação tão boa... Eu nem saberia como descrevê-la.
Chegamos ao nosso ultimo ponto antes de voltarmos para casa.
Meus olhos se arregalaram.
Muita... muita água. O mar!... Era tão lindo! Mais bonito do que nas gravuras!
Corri até a praia, deixando Sebastian para trás. Vi conchinhas no chão e bichinhos da praia.
Até um caranguejo, andando de lado, era muito engraçado. Tentei fazer Sebastian imitar o jeito de o caranguejo andar, mas ele quase me enterrou na areia, irritado.
A brisa veio leve, e marulhos se formaram na água.
Como era lindo... Como seria entrar até no fundo dele? Onde ele teria fim? Como podia ser assim tão grande?
Ouvi o som das ondas batendo nas pedras e as gaivotas piando no céu, ao longe.
Ouvi vozes, e vi um grupo de humanos pulando na água, correndo, gritando alto. Parecia... Divertido.
Os humanos estavam sempre
Mas daquela vez estávamos ali, e ele até deu um jeito de soltar um meio sorriso torto.
Finquei inconformada foi dele não ter me levado ali antes, com todos esses anos em que eu passara naquela ratoeira empoeirada como o seu ratinho de laboratório. E o empurrei na água, para descontar minha raiva. Ele ficou fulo, e pernas pra que te quero.
Voltamos para “casa”, se é que poderíamos chamar aquilo de casa. O meu pequeno mundinho se abrira, e florescera. Não era só aquele pequeno lugarzinho escondido mais. Tinha muito mais para ver, muito mais para conhecer.
Mas Sebastian resolveu voltar para as coisas ocupantes dele. E fiquei entediada de ler livros.
Por que ler se você pode ver?
E assim, acabei por decidir dar uma escapadinha, enquanto Sebastian estava em um de seus desaparecimentos.
Era a primeira vez que eu fazia algo sozinha, era emocionante, mas estava um pouco receosa, até o motor da moto roncar e voar até a rua.
Fui a todos os lugares que Sebastian me levara novamente. Demorei-me muito mais dessa vez, vi padarias e lojas. Sem falar na quantidade enorme de humanos andando e correndo pra todo lado. Encantei-me com várias coisas, e fui até o ponto mais alto da cidade.
Na hora de ir embora, a moto morre.
_Ah! Não agora, sua imprestável! – praguejei.
Por sorte, um cara num carro passou e diminuiu a velocidade até parar perto da moto.
Uma vez eu li que humanos quando se sentem atraídos, ficam meio lerdos.
_Ei gracinha, de onde você caiu?
Tive vontade de dar-lhe um soco bem dado na cara e roubar o carro dele, mas como dizia Sebastian, “Mais vale a experiência”. Por isso, resolvi testar meus conhecimentos. Seria uma experiência interessante.
Andei vagarosa e insinuantemente até o carro. Sorri o melhor dos meus sorrisos.
_Ah! Você é que deve ter caído do céu! Eu estava aqui tão sozinha... Precisando de alguém assim, legal como você!
Cheguei meu rosto bem perto do dele e pude ouvir o coração do idiota ir a mil.
“Funciona!”
Ele saiu do carro e colocou quase toda a gasolina do seu tanque na moto. Agradeci, dando-lhe um beijo, vendo o cara quase ter um ataque cardíaco.
“Tch... Humanos... Tão fáceis de entender...”
_Até mais gatão. A gente se vê... – pisquei.
A moto voou, de tanque cheio de novo.
“Gostei dessa experiência”- pensei, soltando uma gargalhada, enquanto o vento veio forte no rosto, levando meus cabelos para trás.
Minhas fugas continuaram, sempre que Sebastian saía. Mas eram cada vez mais interessantes, que eu me sentia tentada a não voltar. Até que uma vez não voltei.
Estava feliz da vida, jogando pôker em um cassino da cidade. Então Sebastian chega e faz o maior barraco, enquanto eu tento fugir do novo.
_É boa que eu volto para sua velha ratoeira empoeirada! Cansei de ser seu ratinho de laboratório!
Mas o capacho sempre conseguiu me trazer de volta, a contragosto.
“Malditos muitos anos de experiência a mais que ele tem!”
Mas fico feliz em já ter descoberto tanto.
E o mundo não acaba só por aqui. Ainda tem muito... Muito mais para ver.
Um dia, o velho Sebastian não vai conseguir me alcançar e poderei ter toda a liberdade que eu quiser. E até quando eu quiser.
Essa é a diferença entre a minha “existência” e as histórias dos livros de Sebastian. Todos já terminaram, todos têm um ponto final. Já a minha história vai continuar até que eu resolva, quem sabe algum dia, colocar reticências, jamais um ponto final.
Qualquer dia desses...
Fim





'-' Que lols /o/ Legal o blog interessante essa ahn...hum '-' '' Historia ''
ResponderExcluirCreça evolua abração (Que musiquizinha viadesca .---. )
~~kyoshi77 (FP)
Oe, oe, oe! Viadesca não rapá!
ResponderExcluir"¬¬
Thx anyway ;]