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sábado, 10 de outubro de 2009

Biografia Shinigami +Kaizoukonpaku! Capitulo 3! continuação ¬¬




       
                  ***
As lágrimas não paravam de cair. O que Matsui teria dito? O que eu poderia dizer para confortá-la? Eu podia ver que ela estava triste. Eu podia sentir que ela estava triste. Era como se estivéssemos ligadas. Acontecera tão rápido, que nem vi quando aquele holloe me pegou nas "mãos" e me segurou com tanta força que achei que fosse explodir.  Mas não doía tanto quanto aquela dor. A dor de estar sozinha. De ser diferente de todos. Depois que Matsui se foi, eu fiquei sendo diferente de todo mundo. Meus colegas de escola não me tratavam  do mesmo jeito, até meus pais não me tratavam do mesmo jeito. Nem mesmo a Mizuki-san*. Por isso eu me mudara para Karakura. As pessoas não me viam como a Yue, talvez me vissem como a garota que matou o próprio irmão. Ás vezes eu pensava assim. E me sentia triste. Me sentia... Sozinha no meio de uma multidão. Acorrentada na escuridão. Eu não queria aquilo. Para ninguém. E Melony parecia compartilhar das mesmas correntes, embora fossem um pouco diferentes das minhas, eram correntes, no final das contas. Eu queria tirá-la de lá. Abraçá-la. Então as palavras saíram. Pude contá-la um pouco da história que meu onii-san sempre me contava. Queria que ela soubesse o quanto era especial. O quanto queria que fôssemos amigas.  Não estaríamos sozinhas se tivéssemos uma à outra. E nossas correntes não apertariam tanto. Ela me olhava surpresa, boquiaberta. Os olhos tremiam. Então ela abaixou a cabeça por alguns instantes.  Sem levantar a cabeça, ela suspendeu o braço para cima, mas tremia, como se estivesse lutando contra si mesma.  _Solte-a... 
Olhei para ela, sem entender ao certo o que ela estava fazendo.
_Solte...  A minha liberdade! e ela gritou abrindo a palma da mão, deixando a mim e a Sebastian, que assistia a tudo lá em baixo, espantados.  Um raio gigante de sete cores saiu de sua mão e veio alastrando o céu até onde eu estava; cercando o hollow e a mim.
E as cores me enlevaram, era como se as cores da minha roupa estivessem se dissolvendo nas cores que me cercavam; então me puxaram da mão do hollow, que por sua vez se contorcia e arranhava o corpo, como se estivesse queimando. Ele ficou louco, e começou a soltar um cero após o outro. Os ceros eram de cor vermelha, e mal saíam de sua boca gigante e se misturavam com o vermelho entre as sete cores que Melony controlava, desaparecendo, sem nem mesmo chegar perto de nós.
Depois que as cores de minha roupa me afastaram do perigo e me trouxeram para perto de Melony, ela moldou as cores e formou uma espada de bainha branca e lâmina preta.
Não vi quando ela sumiu, reaparecendo a cima do hollow.
Sua espada cortou o monstro em dois enquanto parecia absorver as cores do hollow estivesse sendo absorvido pela cor da lâmina.
A lua reapareceu atrás das nuvens que a estavam cercando.
Melony abaixou o braço enquanto as cores que a seguiam se fragmentavam e sumiam, aos poucos deixando sua mão vazia.
Então ela caiu ajoelhada no céu invisível do céu e seu corpo pendeu para frente. As poucas cores que restaram a carregaram lentamente do céu até o chão, como se ela fosse um anjo.
Corri até ela ao vê-la cair e consegui pegá-la antes que o último brilho colorido desaparecesse.
O rosto dela estava cansado e suado. Respirava apressadamente.
_Você me salvou de novo... – eu disse sorrindo de leve.
Melony apenas olhou para mim sem nada dizer.
_Obrigada Melony-chan... – comecei, mas ela me interrompeu:
_Cale a boca, idiota... Eu já te disse... Pra não me chamar por chan...
Seus olhos se fecharam ela apagou, exausta.
Nesse minuto, um shinigami de cabelos negros e olhos cor - de - ameixa aparece por perto. Um rosto muito conhecido então.
_Sheen! – grito.
_Yue! Você está bem? – ele pergunta, correndo com seu shunpo até mim – Eu recebi um relatório de um hollow incomum nos arredores de onde você mora e vim o mais rápido que pude, mas...
 Ele olhou ao redor, Sebastian a muitos metros de distancia e Melony no meu colo, e não viu hollow nenhum.
_Ué... Parece que minha ajuda não vai ser muito necessária aqui né?
Ri.
_Ela fez isso?
Acenei com a cabeça, orgulhosa.
_Ela lutou para me salvar... Lutou por mim...
_Han... Quem é essa aí?
Olhei para o rosto de Sheen com as maçãs do rosto coradas de felicidade:
_Minha amiga!
                               ***
O dia foi surgindo e a luz do sol raiou através da vidraça da janela. O vento soprando de mansinho e ondulando a cortina azul do meu quarto.  Sebastian, Sheen e eu estávamos perto da cama, onde Melony permanecia deitada, inconsciente em seu sono.
_Ah... Eu vou morrer me surpreendendo... – resmungou Sebastian, no seu mau humor de sempre.
_Que exagero - respondi rindo.
_Mas que bom que tudo acabou bem. – disse Sheen, agora a par de toda a situação.
Sebastian tinha quebrado o osso da perna direita, mas já estava tudo bem. O levamos até o hospital e não demorou muito para colocarem o osso da perna de volta no lugar e engessarem a perna.
Eu só estava me sentindo um caco, mas pelo menos não tinha quebrado nada.
Sheen partiu após deixar recomendações, dizendo que tinha que dar o relatório da missão para a capitã. E desapareceu como sempre, levando embora seu sorriso.
Já com Sebastian não aconteceu nenhum dos dois, ele não foi embora e tampouco sorriu. Ao contrário, estava mais mau humorado do que o normal. Mas já estava me acostumando com aquilo, então não liguei.
Ficamos os dois observando Melony adormecida, de volta ao pequeno coelhinho de pelúcia, para que sua recuperação fosse mais rápida e para que Sebastian pudesse checar se houve danos na gigai.
_No final, deu tudo certo mesmo... – resmungou ele, largando a gigai de qualquer jeito num canto do quarto e se aproximando de mim e dela – Até mais do que eu esperava.
Ri.
_Estou feliz por isso.
Sebastian me olhou curioso, com uma sobrancelha arquejada, e respondeu depois de alguns minutos:
_Você deve ser realmente diferente para ela Kouji-san. Percebi isso desde que soube da primeira vez que vocês se encontraram.
Olhei para ele surpresa.
_Você conseguiu que ela fizesse tudo aquilo... Mas não é de se admirar... – ele se afastou, indo com suas muletas provisórias até a janela. – Ninguém nunca tinha dito que queria ser amiga dela. Ela tem um gênio próprio, sempre agindo da maneira que bem entende, nunca pensa no que as pessoas vão pensar ou fazer em resposta. E isso faz com que ela atraia mais inimigos e encrencas que amigos. – Ele suspirou, fechando os olhos, deixando a brisa vir no seu rosto e bagunçar alguns fios de seu cabelo. - Mas acho que você vai conseguir mantê-la na linha... Realmente, no final das contas, deixá-la por sua conta não foi tão má idéia assim.
Sorri contente. Olhei para Melony.
_Tenho certeza que não.
Toquei levemente a pequena mãozinha de Melony, a minha Atashi...
                       ***
 
Capítulo #4 – A Cor da Nossa Amizade!
Sebastian ficou de plantão no quarto, enquanto eu fui verificar os estragos do apartamento.
Bom, ainda bem que aquele apartamento era diferente dos outros normais. Os donos eram humanos sensitivos que sabiam de toda aquela história de shinigamis e hollows, e o apartamento era só para pessoas do tipo. Eles também sabiam que hollows vinham principalmente atrás de nós, humanos com maior reiatsu. Por isso cobriam todos os custos, desde que feitos por hollows. Então não tinha muito que me preocupar, a não ser arranjar uma desculpa que colasse quando alguém me perguntasse sobre o imenso buraco na parede da cozinha.
Fora isso eu não estava nem um pouco preocupada. Preocupado estava Sebastian com a bronca que ia passar em Melony quando ela acordasse. E muito preocupado.
Ele cruzou os braços, sentado numa cadeira de frente para minha cama, muito nervoso.
Mas parecia que podia esperar todo o tempo do mundo para poder passar a lavada que tinha que passar em sua pequena criação, tanto que não fora embora ainda. Batia os pés no chão repetidamente enquanto ele esperava.
Ri, era engraçado vê-lo sempre irritado. Eu é que não queria ser ela quando acordasse. Fui fazer um chá com o que restara da cozinha. Passara poucos minutos desde que eu conseguira arrumar a cozinha e tinha começado a ferver a água quando ouvi gritos.
_Eu já disse que você só me dá trabalho?
_Cala esse raio de boca seu velho! Eu já disse que sua voz é irritante?
_O que foi que disse? Se eu sou irritante, você é o quê? Irresponsável!
Cheguei perto da porta, Melony virou o rosto, emburrada, mas Sebastian continuou.
_O que iria fazer caso não conseguisse derrotar aquele hollow? Ou pior! Se algo acontecesse a Kouji-san?
_Sebastian-san... – não queria ser envolvida na briga.
_Não Kouji-san! Já está passando da hora de Melony ouvir umas poucas e boas! – virou-se para ela – Acha que a Soul Society ficaria parada vendo uma kaizoukonpaku rebelde arranjando problemas por aí? Só não vieram antes por que você estava sob minha responsabilidade! Se você for pega por eles, dê adeus à sua tão querida liberdade!
- bufou e disse, nervoso – Ah sim! Liberdade... A propósito, você acha que liberdade é só sair por aí e fazer tudo o que bem entende?
Melony continuou de cara virada, sem dizer nada.
_Liberdade significa responsabilidade, também!  Pessoas livres são aquelas que fazem o que devem sem serem constrangidas a fazer o que não devem! A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere. Liberdade é o direito de fazer tudo aquilo que as leis permitem. E digo mais, já que você só pensa em se divertir, fique sabendo que se você desobedece todas as regras, acaba perdendo toda a diversão.
 Ele respirou fundo e continuou depois de uma pausa.
_Pessoas inúteis que não pensam nos outros são piores que aquelas que jogam suas próprias vidas fora.
_Está dizendo que eu sou pior que os humanos? – Melony se levantou, indignada.
_Sim, estou. – Sebastian respondeu sem hesitar nem meio segundo.
Eu estava ali na porta, mas era como se não tivesse ninguém ali olhando os dois brigarem. Enquanto via auras negras ao redor dos dois, pensava em qualquer maneira de separá-los.
_Ei gente... Vamos com calma... – eu disse baixo, suando.
_Não se meta!
_Não se meta!
Fui parar atrás da porta, olhando as duas criaturas medonhas no meu quarto.
“Tá, tá... Não está mais aqui quem falou...”
Os dois se olharam feio, se encarando. Então Sebastian virou as costas.
_O que te faz pensar que você é melhor que eles?
Melony fechou ainda mais a cara, mas não disse nada, confusa.
_Seu egoísmo a torna igual a eles. E você não perceber isso a torna pior.
Os olhos de Melony tremeram, arregalados.
_Não pense que me preocuparei com você, já que você não se preocupa com nada.
Sebastian pegou o casaco na parede e o celular tocou. Uma voz irritada no telefone gritava que ele estava atrasado de novo. Ele resmungou alguma coisa e enfiou o celular no bolso do casaco, batendo a porta atrás dele, que de tão forte, fez uma “rajada” de vento vir até onde estávamos.
Pisquei várias vezes, Melony estava petrificada perto de mim.
_Hmm... Melony... Você está bem?
Melony fechou a mão em punhos novamente e saiu; indo se sentar na sacada do apartamento. Já ia segui-la quando ouvi a chaleira apitar; então corri até a cozinha para desligar o fogo.
Suspirei.
“Que situação mais tensa...”
Antes de chegar à sacada, olhei para fora escondida, e vi que ela estava sentada em cima da sacada, olhando pra rua, com uma cara mais emburrada do mundo.
Cheguei perto devagar e a chamei. Mas ela não se mexe, nem diz nada. Subi a sacada com cuidado e sentei-me, olhando o sol, que começava a se pôr. Pensei um pouco e falei, olhando a linda paisagem dali:
_Melony... Sebastian... Não quis dizer aquilo...
Ela fez uma cara mais azeda ainda e continuou sem dizer nada.
_Ele só tem um jeito diferente de mostrar que está preocupado. Por exemplo, quando eu fui ao laboratório, ele ficou me falando muito tempo sobre você. E estava na cara que se preocupava! A verdade é essa, mas é que vocês são tão parecidos... – coloquei a mão na boca pra sufocar o riso, eu tinha que parecer séria, mesmo que a lembrança dos dois sempre brigando fosse engraçada – Estão sempre nervosos, sempre não pensam antes de falar. Mas eu sei que ele se preocupa por que afinal de contas foi ele quem te criou não foi? Vocês passaram tanto tempo juntos... Não tem como você não ser especial para ele.
Ela diminuiu um pouco a cara azeda, agora parecia... Triste.
_Aquele velho pervertido acha que entende tudo.  – ela finalmente abriu a boca, e fechou as mãos nas pernas, mas pude perceber que elas estavam tremendo – Nunca pedi pra que ele se preocupasse comigo! E eu sou a única egoísta nessa história toda?
Ela falou alto. Olhei-a apreensiva, depois voltei a olhar a paisagem. _Mesmo se ele for o culpado, vocês dois não pensam um no sentimento do outro.
Ela me olhou, surpresa. Sorri, sabia que tinha chegado ao ponto certo.
_Você sempre saía e não percebia o quanto o deixava preocupado não é? Afinal se algo acontecesse a você, ele se sentiria culpado.
Ela virou o rosto, mas eu sabia que estava mais envergonhada que nervosa.
Sabia que nunca tinha pensado desse jeito. – eu disse rindo
_Cale a boca... – ela resmungou baixo.
Continuei rindo.
_Mas você também se preocupa com ele. O problema de vocês dois é em demonstrar isso.
Ela abaixou a cabeça, encostando o queixo no joelho, sem dizer nada, mas parecia pensativa.  Suspirei fechando os olhos enquanto a brisa da tarde veio leve, balançando meu cabelo.
_Nós costumamos dar valor as coisas importantes que temos depois que as perdemos. – disse com os olhos ainda fechados. – Sebastian só não quer te perder, Melony-chan.
Os olhos dela tremeram, e ela abraçou os joelhos, constrangida, pelo jeito. Ela fechou os olhos e resmungou, até se esquecendo do que eu a chamara de novo:
_Hm. Eu sei.
Sorri. No final, ela não ficava com raiva por muito tempo. Nem mesmo com Sebastian.
Ficamos ali, olhando para cima, as cores do céu mudando com o pôr-do-sol. O azul claro se tornando em laranja, que se misturava aos poucos com o rosa, o vermelho, o roxo, até o céu se tornar em um azul marinho salpicado de pequenas estrelas brancas, como a praia, salpicada de areia. Era tão bom ficar ali olhando a noite...
_Eh? JÁ É DE NOITE? Essa não! Hoje é sábado!
Com o susto, Melony me olha com uma cara de o-que-foi-dessa-vez:
_O que tem hoje ser sábado?
_O que tem hoje ser sábado? O que está dizendo Melony-c..
Melony agora me fuzilou com uma cara de me-chame-disso-e-tá-morta:
“Ops... Essa passou perto...”
_Ah! Quase me esqueci. – Sorri; uma gota escorrendo atrás da cabeça.
Ela suspirou, passando para a cara de fazer-o-que-se-você-é-idiota-né?
Continuei:
_Mas se nós não aproveitarmos o fim de semana vai ser um desperdício... – coloquei a mão do queixo, pensando – Hmm... Aonde iremos hein?
Olhei para ela, e ela me olhou com uma cara de não-faço-idéia-do-que-você-está-falando. Ri, então tive uma idéia.
_Ah! Já sei!
Agarrei o braço dela e a arrastei da sacada até no armário, peguei duas vasilhas com cosméticos e toalhas e corri com ela para a rua.
_Ei! Mas que diabos...! Para onde está me levando?
Ela puxava o braço, tentando se livrar do meu, mas não soltei e continuei correndo e rindo.
_Vamos a um banho público! Vai ser muito bo...
_Banho... PÚBLICO?  Você tá louca? Não tem vergonha não?
Soltei uma risada, mesmo sabendo que quem não tinha vergonha era ela.
_Boba. É público, mas são salas separadas. Homens não entram na sala de banho feminino.
Ela não pareceu à vontade com a ideia. Eu sabia que nem era por causa dos homens, e sim de tomar banho junto comigo e mais todas as mulheres que estivessem lá. Ela nunca tinha tomado banho com ninguém do mesmo sexo, é lógico.
_Melony, eu ficaria constrangida com o oposto, você é estranha, mas dá pra entender.
O canto da boca dela subiu, e ela virou pra mim com uma cara monstruosa:
_Eu sou estranha? E pare de falar coisas com duplo sentido!!! Eu sou muito mulher ouvindo?
Ri litros. Continuamos andando e em dois tempos estávamos no banho.
_Ahhh... Isso é tão bom... Eu tava precisando muito de relaxar...
Olhei para Melony.Ela estava com uma cara entediada, abaixada dentro da água, com o rosto vermelho. Soprava bolhas na água.
_Bom? O que tem de bom em ficar de molho nessa banheira gigante? Estamos aqui há tanto tempo que você está com uma pele parecendo maracujá velho.
_Mara... O quê? Hmpf... Pessoas super ativas como você não conseguem entender o que é relaxar.
_O que foi que disse?  - ela virou o rosto depois de me encarar com uma cara feia -  É isso aí, sou super ativa sim, algum problema? Não é culpa minha se você tem hábitos de mulheres velhas.
_ ...Hábitos de... Quem tem hábitos de mulheres velhas ?
Minhas veias do rosto saltaram.
_Não é culpa minha se você tem hábitos de pré-adolescente rebelde.
Dessa vez as veias dela que saltaram.
_Pré-adolescente...? Quem aqui é pré-adolescente? ...
Quer brigar vovó?
_Quer tentar, pirralha-chan?
Nossas veias quase saíram do rosto, e eu joguei água em seu rosto.
_O que você fez sua velha peituda? Ninguém joga água em Melony-sama e sai impune! -Ela juntou os dois braços e uma onda gigante de água veio em minha direção. No fim, quase fomos enxotadas da casa de banho por fazer confusão, por que algumas mulheres também entraram na brincadeira, mas as mais velhas nos deduraram e fomos pegas em flagrante e nós duas levamos uma bronca da dona do estabelecimento.
Na rua, comentei:    _Aff.... Aquela era uma das melhores casas de banho aqui do bairro! Agora estou marcada....   _E o que eu tenho haver com isso?
_Eu não fiz toda a bagunça sozinha, sua espertinha...
_Com certeza não -ela abriu um sorriso gigante, orgulhosa - Velhas nem conseguem fazer bagunça direito.
E soltou uma risada alta. Olhei para ela, surpresa.
Aquela era a primeira vez que estávamos tendo uma conversa normal, e era a primeira vez que ela sorria perto de mim. Fiquei tão feliz que nem liguei com o apelido.  Era como se as correntes que me envolviam fossem folgando cada vez que a risada dela ressonava até mim.
_Foi divertido! - eu disse enfim, o rosto corado como sempre ficava quando eu me sentia feliz.
_É. - ela respondeu, ainda rindo. Fomos andando pela avenida que seguia o curso de um rio de Karakura, cercado por uma mureta. Os carros passavam por nós como luzes, enquanto conversávamos e ríamos da cara da dona do banho público ao ver o aguaceiro que tínhamos feito. Melony imitava-a e eu quase morria de rir. As estrelas piscavam enquanto nos observavam, talvez rindo também.  Então algo chamou a atenção de Melony e ela parou para olhar na hora. Percebi que ela tinha ficado para trás e virei-me para olhar. Os olhos dela cintilavam, fixos. "O que ela está olhando?" - me perguntei.   Olhei para o outro lado do rio também e vi muitas cores se misturando, girando, subindo, descendo, piscando. A cor verde de destacava, mais alta entre as outras, rodando junto à roda gigante. Era lindo ver as cores refletindo na água do rio; as luzes do parque, as luzes dos prédios, dos carros que passavam correndo, todas bailando na água como se dançassem. Poderíamos ficar ali a noite toda olhando. Melony parecia extasiada quando olhei de novo para ela.   _... Quer ir lá?- perguntei.   Ela me olhou com uma cara confusa, depois seu rosto se transformou no rosto de uma criança que acabara de ouvir que ganharia o presente de aniversário, de páscoa e natal, tudo de uma vez. Sorri um sorriso super gigante ao ver a reação dela. Peguei sua mão e corremos em direção ao parque.   Enquanto corríamos, parecia que também nos misturávamos nas cores da noite.   Mas nenhuma cor podia ter uma cor tão linda quanto aquela de nossas mãos dadas.  A cor da nossa amizade.                                                      ***                                                      
Sempre sorrindo. Ela era sempre assim. Não sei por que, mas enquanto eu era puxada pela mão dela até as luzes do parque, senti como se algo não me apertasse tanto como quando eu me sentia com raiva de não ser livre.
Talvez Sebastian estivesse certo.
Talvez não fosse tão ruim assim... Ceder um pouco da minha liberdade...
Se o troco era aquilo...
        “A...mi...ga....”
Aquelas palavras ainda ressonavam em meus ouvidos. Minha mão apertou mais forte a dela mais forte e sorri um pouco.
“Não tem problema ser feliz de vez em quando não é?”
Posso ser livre e feliz ao mesmo tempo.
“Ah... O tempo...”
O tempo em que eu vou sair para descobrir o mundo pode esperar. Acabei de fazer uma descoberta que superou todas que pensei ter um dia...
“A descoberta de... Ter amigos!”
O que será essa sensação que estou sentindo? Era como se; enquanto corríamos, eu saísse do escuro e fosse guiada por aquela mão até a luz branca... A fusão de todas as cores...
É difícil ver no começo quando você sai de um quarto escuro e vai para outro muito iluminado, mas suas vistas vão pouco a pouco se acostumando. Era assim que eu me sentia. Eu ainda não entendia tudo daquele novo mundo, mas eu sei que aos poucos vou entender...
Agora eu podia ver as coisas que eu via antes de um jeito diferente.
E perceber coisas que eu jamais perceberia antes.
Sebastian... Essa pessoa... E todas as outras que eu ainda vou conhecer...
Meu mundo só vai aumentar agora.
E eu nem preciso me perder por aí para encontrá-lo...
                        ***
Me senti como criança de novo no parque.  Eu e Melony andamos muito e fomos em todos os brinquedos. Fazia tempo que não me divertia assim.
Por um segundo... Pensei ter visto meu irmão...
Enquanto rodávamos em um dos brinquedos, ele estava lá... Por um segundo pensei tê-lo visto entre as pessoas que nos olhavam. Ele deixou a cabeça pender de leve de lado e sorriu. Então, quando olhei de novo, ele não estava mais lá.
Será que ele estava vendo tudo o que estava acontecendo?
Será que ele estava me ajudando?
Talvez ele não estivesse decepcionado como eu pensei que estaria...
Cheguei em casa com Melony tão cansada e feliz que desabei no sofá e dormi sem nem mesmo trocar de roupa.
Mas enquanto meus olhos estavam ainda quase se fechando, vi que Melony se sentou na sacada de novo e uma brisa estava passando calma...
Matsui...
Será que ele... Estava me ajudando... A alcançar os sentimentos dela....?...
Eu estava tão... Feliz...
                          ***
                             
Quando acordei, o sol batia de leve no meu rosto. E eu estava com uma dor nas costas de matar por ter dormido no sofá.
Fui sonolenta até a sacada e Melony não estava lá. Antes que pudesse pensar onde ela estava, olhei a paisagem. Era mais um dia normal em Karakura, mas parecia especialmente bonito para mim.
“Matsui...”
Eu tinha certeza que o vira na noite passada. E aquilo me deu forças.
Agora eu estava pronta pra tudo. E a primeira coisa que eu queria fazer era visitar meus pais.
Estava decidido.
Corri para o quarto arrumar minhas coisas quando vi Melony dormindo bem espaçosa no chão, e meu quarto estava revirado. O que uma pessoa sonâmbula não faz? -.-
Ela estava com uma...
_Me-Melony? O-Onde você achou essa camisola super sinistra?
Ela abriu os olhos um pouco, bocejando, prequiçosa.
_Han? Hmm... Por aí....
_Por... Ai? – meu queixo quase caiu – E-Eu não tenho esse tipo de coisa aqui!!
_Hmm... É? Hmm... Tanto faz... É minha...
_Ah! Deixando isso de lado... Han...
Corri até o armário, abri uma gaveta e fui jogando um monte de roupas dentro de uma mochila grande que eu tinha. Depois abri outra gaveta, pegando mais outras coisas.
Melony olhou a bagunça por alguns instantes, depois olhou para a janela, distraída. Parecia mais do que apenas sonolenta...  Sentou-se, arqueou a sobrancelha direita perguntou, afinal:
_Fugindo da polícia?
_Claro que não! – respondi pasma. Virei-me para o armário de novo – E por que eu fugiria da polícia?
_Eu que eu que vou saber...? Apesar de que um buraco no meio da parede que aparece da noite pro dia é algo bastante promissor.
_Ah! Aquilo é diferente! E não fui eu que fiz... De qualquer jeito, estou com pressa, não diga essas bobagens em voz alta, por favor!
Continuei abaixada, abrindo e fechando gavetas, enquanto a mochila se enchia.
Melony não disse nada, o que eu achei estranho. Olhei com o canto do olho e ela estava de novo olhando para a janela, o rosto sério, os pensamentos deviam estar longe. Resolvi falar então.
_Hmm... Eu decidi que vou visitar meus pais. Faz muito tempo que não os vejo, eles devem estar preocupados. Vou pegar o metrô das nove horas... Volto à tarde.
Melony não disse nada.
_Mas volto o mais rápido possível. Não precisa fazer essa cara...
_Que cara? – Ela fez uma careta.
Ri.
_Ah! É mesmo! Hoje tem um festival aqui no bairro! Assim que eu voltar, vamos até lá! Hmm... Vai ser ótimo... Tem tanta comida... Tanta coisa divertida! Mal posso esperar! Mas enquanto isso seria bom se você não saísse aqui das redondezas hein?
Ela me olhou com uma cara entediada. Achei super estranho ela não dizer nada nem a isso.
_Mas, veja bem. Não vai ser tão ruim assim me esperar, você pode ir naquela loja de doces. A baa-san que trabalha lá me conhece; você pode dizer que é pra por na minha conta! E... Você pode visitar o Sebastian... Se quiser...
_Não!! Prefiro morrer! – Respondeu ela, ainda carrancuda.
Sorri meio sem jeito, mas respondi:
_Mas seria bom se vocês dois conversassem, de qualquer jeito...
Ela não disse nada então resolvi terminar de me arrumar.
Melony foi comigo até a estação sem dizer nada, ou se disse, apenas alguns monossílabos apenas.
Quando o metrô chegou, me virei para ela, que olhava para o lado, viajando nos pensamentos ainda.
_Melony-ch...
Ela olhou de repente para mim com aquela cara pavorosa como toda vez que a chamava assim.
_Chan? Você ia dizer chan? Ia dizer chan não é? – ela me perguntou, soltando fogo pela boca. – Até quando vou ter que repetir pra não me chamar disso?
Coloquei as mãos na frente do corpo para me proteger das chamas que saíam de sua boca, enquanto eu ria, gotas descendo pela cabeça.
_Eu me acostumei a te chamar assim!
_Pois então desacostume!
Ri. Aquela sim era a Melony de costume. Mas eu ainda estava preocupada.
_Melony... Está tudo bem pra você ficar sozinha?
Ela continuou olhando para o lado com uma cara azeda.
_Baka.  Quantos anos você acha que eu tenho? Sei muito bem me cuidar sozinha.
É... Talvez ela só quisesse ficar sozinha com seus pensamentos.
_Desculpa ^-^ . Então, itekimássu.
Olhei bem para ela com uma carinha felizinha.
 Uma gota desceu pela testa dela enquanto eu a encarava.
_O-O que foi?
_Melony! Eu disse “itekimássu”! Você tem que me dizer i-te-ra-shái!
Ela bufou, mas eu continuei encarando-a com uma carinha esperançosa. Então ela não teve escolha. Bufou e disse:
_... Iterashái.
Ri, animada.
_Se cuide hein! Bye bye!
Entrei no metrô e fiquei acenando para a cara entediada dela até o metrô entrar no túnel.
                          ***
Enquanto eu caminhava de volta, senti minha cabeça pesar.
“Nem sempre nossas obrigações são tão ruins assim. Um acontecimento ruim pode gerar um bom, quando você menos espera.”

“Se eu não tivesse sobrevivido teria perdido todas as oportunidades de ver esses bons acontecimentos, como conhecer você, Melony.”

“Você é a primeira kaizoukonpaku que eu tenho!”
“Acha mesmo que ser livre é só isso?”
“Pessoas inúteis que não pensam nos outros são pior que aquelas que jogam suas vidas fora!”
“Não pense que me preocupo com você, se você não se preocupa com nada!”
“Nós costumamos dar valor as coisas importantes que temos depois que as perdemos.”
“Sebastian só não quer te perder, Melony-chan.”
“A felicidade só existe com as pessoas que você ama Melony...”
As lágrimas dela caíam...
“Eu quero que você fique comigo Melony...”
Mas eu...
“Como minha amiga!”
Não importa o quanto eu quisesse, não poderia chorar.
Mas agora não era hora de tentar também. Primeiro eu tinha que pensar em como dar um chute bem dado no traseiro de alguém...
Fui para aquela loja de doces que aquela idiota tinha me falado.
Tinham estantes gigantes de pacotes coloridos lá dentro da loja...
Fui levada pelas cores e levei sacolas cheias de doces.
A propósito, aqueles malditos doces que aquela garota idiota me deixara em cima da mesa foram a razão de eu ter começado a adorar doces... Estavam bons mesmo, aquelas porcarias. Quanto mais eu comia, mais queria comer. O que há com essas drogas?
Agora eu tinha a tarde toda para fazer o que quisesse.  Eu ia deitar no sofá e arrumar o meu plano de “chutar-a-bunda-de-alguém”.
                          ***
 
Ah sim, eu mereço! Os posts desse blog tem vontade própria! 
Me deixam editá-los quando bem entendem! Vão ver com quem estão lidando seus miseráveis....         

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Aceito críticas, desde que sejam construtivas!
Arigato Gosaimasu~~
Li-chan~~