Cheguei em casa e me esparramei no sofá. Joguei as sacolas de doces no chão e fui comendo um após outro.
Algumas horas depois, ouvi um barulho vindo do quarto. Levantei-me num pulo.
“O quê? Um ladrão?”
Eu não sabia se ria, por que estava com medo de que ele me percebesse ali.
Mas estava passando da hora de alguém me desentediar mesmo.
Num pulo eu tinha pegado um facão na cozinha (“Pra que diabos ela tinha um facão?”) e como não achei nada parecido com uma katana por ali, peguei um rodo velho que estava encostado no canto da parede. Ia servir.
Coloquei o facão atrás, na cintura. Aproximei-me sorrateiramente do quarto.
Era um cara. Estava de costas fazendo sabe-se lá o que. Provavelmente procurando alguma coisa de valor.
Mas era a minha chance!
O rodo literalmente rodou, e acertou em cheio a cabeça do ladrão, que foi parar na parede.
_Ai... Essa doeu... Mas quem...?
Antes que ele pudesse olhar direito quem tinha feito o galo em sua cabeça, saquei o facão e apontei para seu nariz.
Com a cara mais brava que eu podia fazer, sorri, envolta numa aura assustadora.
O rosto com expressão relaxada, os cabelos pretos caindo na testa, olhos sei lá que cor, eu não estava muito preocupada com eles. Eram meio roxos ou algo do gênero.
Estava vestido como qualquer outro humano normal, e parecia preocupado com a ponta da faca a meio milímetro de seu nariz.
_Ora, ora... Isso sim é que eu chamo de pegar no flagrante!
Aproximei mais meio milímetro o facão de seu nariz, e uma gota gigante desceu pelo seu rosto.
_Pena que o roubado aqui vai ser você!
Ele assimilou as palavras e o queixo quase caiu.
_Huh?
_Não se mexa espertinho, ou vai ter só a metade desse seu nariz nessa cara redonda!
_Ei... Espera um pouco aí... Você disse “roubado”? ... Isso é um mal entendido...
Mal entendido? O facão ficou ainda mais perto.
_Mal entendido é?
O sorriso estendeu um pouquinho.
“É. Até que não vai ser tão ruim esperar aquela idiota voltar.
A ponta da faca brilhou.
***
A visita aos meus pais tinha sido bem sucedida, e o metrô voltou mais rápido do que eu pensei que voltaria. Dera tudo certo. E eu estava muito feliz com isso.
Fora uma visita rápida, mas pelo menos agora eles não estavam tão preocupados comigo. E eu fui até o túmulo do onii-san para contar a ele as novidades e levar-lhe novas flores.
Estava me sentindo mais aliviada agora.
Ah! E também foi bom por que eu achei dois quimonos que serviriam direitinho pra mim e para Melony nas coisas que eu deixara em casa. Assim seria mais divertido ir até o festival. E eu estava ficando ansiosa.
Andei mais rápido até o apartamento, quase correndo.
“Engraçado... Estou com mais pressa do que o normal... O que será que está acontecendo?”
Suspirei.
“Espero que Melony esteja bem, no fim das contas.”
Cheguei ao apartamento e subi as escadas de dois em dois degraus. A chave demorou demais para encaixar na fechadura e destrancar a porta.
Deixo a mochila deslizar do ombro para o braço.
_Taidaima! Melony?... Onde você está?
Fui até a cozinha e ela não estava lá. Só podia ter acontecido alguma coisa pra casa estar tão...
_Como é? Não vem que essa não cola!
_Q-Quantas vezes vou ter que pedir pra tirar essa coisa da minha cara?
...
Han? Essa voz... Eu conhecia essa voz. Mas por que tinha duas pessoas na minha casa?
Corri para o quarto.
_Melony!! Huh....
Minha mochila caiu no chão, quase junto com meu queixo enquanto meus olhos se arregalavam.
Melony estava com um facão apontado bem para o nariz de...
_Ah? Sheen? O-Oque está havendo aqui?
_Esse safado estava tentando roubar a casa quando eu o peguei no flagra!
_Não é isso! Eu já te disse, isso é um mal entendido! ... Ah... Yue-chan... Explique para ela...
Pobre Sheen. Devia estar passando mal, por que estava azul.
_Você! Como sabe o nome dela? E ainda a chama pelo primeiro nome? O que você é? Um hentai!?
Sheen engasgou de raiva enquanto suas veias subiam com a irritação.
_Um o quê? Eu não sou...
_Melony-chan! Tire essa coisa perigosa de tão perto dele! Olha, ele não é ladrão não... Eu o conheço...
_Huh? Conhece mesmo esse aí? - perguntou ela, com o facão tão perto que quase furou seu rosto. Por um momento achei ter visto a alma dele quase escapulir do corpo e voltar, enquanto ele tentava se afastar da ponta afiada.
_Sim, sim! Conheço! Abaixe logo essa coisa perigosa Melony-chan!
Melony encarou ainda em dúvida o rosto pálido de Sheen e depois de alguns segundos abaixou o facão, com uma cara azeda. Parecia até desapontada... Meu Deus...
Fui acudir Sheen e fazer a alma do coitado voltar para o corpo.
Quando ele conseguiu se levantar, estava vermelho.
_O que você é? Uma psicopata? – Sheen satirizou a pergunta anterior de Melony – Não aponte essas coisas afiadas para pessoas de bem!
_Pessoas de bem? Você chama de “pessoas de bem” um cara suspeito que entre no quarto de uma garota assim do nada? Não dá pra pensar em nada mais suspeito!
_Eu entrei pela janela por costume apenas!
_Ah! Desculpe-me se o normal é entrar pela porta!
_Ah! Desculpe-me se eu não sou normal!
_Então não ache ruim ser comparado com um hentai!
_Eu não sou hentai!
_Mas parece!
Raios saíam dos olhos de ambos enquanto eles se encaravam.
Suspirei. “Oh, céus...” Entrei no meio.
_Ei, ei... Vocês dois. Foi apenas um mal entendido. Acabou; pronto!
Melony cruzou os braços e virou o rosto para o lado, bufando, com bico. Sheen voltou ao seu natural, mas ainda queria dar explicações.
_A verdade é que tirei folga para vir aqui convidar você para ir até o festival!^_^
E como já está quase começando, eu estava com pressa.
_Daí entrar na casa dos outros pela janela do quarto e não pela porta da sala. – Melony resmungou; insatisfeita com a explicação de Sheen.
_Não foi com más intenções! Quantas vezes tenho que repetir...
_ Você não é muito bom em inventar desculpas hein?
_Melony! – eu interrompi, antes que virasse briga de novo, olhando apreensiva para Melony – Parem com isso... – Virei-me para Sheen com um sorriso – Obrigada por vir até aqui por isso Sheen, nós estávamos mesmo com plano de ir até lá. Pode esperar por nós lá na sala, Melony e eu estaremos prontas já, já.
_Nós?
_Nós?
Eles se encararam de novo, com a resposta ao mesmo tempo de ambos.
_O que quer dizer com nós? Quando eu disse que iria? Não decida coisas por mim!
_Pois é Yue, deixe essa psicopata por aí mesmo...
Melony rosnou para ele. Ele mostrou a língua, despreocupado.
“Ah... Duas crianças...”
Delicadamente empurrei Sheen para fora do quarto.
_Espere só um pouco sim? Já estaremos prontas!
_Estaremos nada! Não vou a lugar nenhum com esse ladrão!
_Ladrão é a...
_Sheen!
_Hai, hai... Vou esperar na sala. Cuidado para não se arranhar, Yue-chan!
Melony rosnou de novo para ele e eu fechei a porta.
Suspirei. Enquanto os dois estivessem em quartos separados não teria problema.
_Céus... Você é mesmo um prodígio Melony... Conseguir irritar alguém tão calmo como Sheen...
_Ele é o único irritado em questão? E eu tenho culpa se ele arromba a casa e eu tento ajudar? Aff... Sua ingrata!
_Hai, hai... Vamos nos arrumar logo, sim? – interrompi sorrindo.
_Ah, sim! Eu trouxe uma coisinha linda pra você! – e mostrei o quimono branco cheio de rosas vermelhas que tinha trago para ela.
Ela olhou o quimono por quase um minuto.
_Não vou vestir isso!
_Huh? Como assim não vai vestir? Eu não trouxe um peso a mais na minha mochila para você não vestir!
_Não vou!
_Ah! Vai sim! Vem cá!
_Não! Saia de perto de mim!
_Mas ele é tão lindo Melony! E eu usei uma vez só! Ele vai servir direitinho para você!
_Nããããão!
_Melony! Volta aqui! Anda logo e tira essa roupa! Colabora vai!
_Hanh? Ei, tire as mãos daí!! Me largaaa!
_Ah! Não foi minha intenção! É que você não para de mexer! Se tirasse logo essa roupa...
Nesse instante lembrei que Sheen estava na sala, e estávamos falando alto.
“Ai não... Se ele ouviu...”
Com muito custo, muito custo mesmo; consegui botar o quimono nela, mas ela não me deixou arrumar seu cabelo de jeito algum. Então não tive escolha a não ser deixar que ela usasse o cabelo solto mesmo. Pelo menos o quimono eu tinha conseguido.
Como arrumar Melony demorou muito mais que eu; e ela queria terminar de se arrumar sozinha, resolvi dar uma checada na sala, Sheen devia estar ficando super impaciente já, o sol estava se pondo.
Mas na sala, tinha um cadáver roncando de boca aberta no sofá.
_Aff... Quem foi que estava tão preocupado em não chegar atrasado ao festival hein? E ainda dorme...
O vento veio de leve da janela e soprou os cabelos de Sheen, que ondularam.
Por um instante, meu coração parou de bater.
_Ele deve estar cansado... Vindo aqui só pra ir ao festival... Você não tem jeito mesmo Sheen...
De repente, ele abre os olhos. Levo um susto, mas não consigo me mexer.
Pareceu uma eternidade o tempo que nossos olhos ficaram fixos um no outro.
E então ele sorriu.
_Você ficou bem nesse quimono, Yue-chan!
Volto relutante pro mundo real.
_Ah... Humm...O-Obrigada...
“Agora vai ser difícil eu esquecer isso...” – fechei os olhos, corada.
_Qual é? Vocês não estavam com pressa?
Melony estava perfeita naquele quimono, assim como eu tinha imaginado.
_Você está linda nesse quimono Melony-chan!
_Ara, eu também diria o mesmo se não fosse essa cara de psicopata assassina que você tem.
“Ah não. Os dois juntos na mesma sala de novo!”
Antes que ela pudesse fazer algo além de fuzilá-lo com o olhar por que ela estava com muita vergonha por causa das roupas, interrompi:
_Então vamos logo!
Peguei os dois pelo braço e descemos as escadas na maior das carreiras e Melony perdeu a timidez e começou a xingar por que ela quase caiu ao tropeçar em um dos degraus e Sheen riu.
Saímos apressados na rua até o festival. Melony desgarrou o braço da minha mão dizendo que sabia andar sozinha e continuou andando um pouco atrás de mim e de Sheen.
Eu ri e depois comecei a pensar antes de perguntar:
_Ah! O que será que eu vou comer primeiro?
Sheen pareceu se animar também.
_Eu definitivamente vou comer dango primeiro!
_Dango é ótimo! Acho que vou pegar um mitarashi!
_É mesmo! Kakiage também é bom!
_Tempura também!
_Teppanyaki!
_Soba!
_Udon!
_Yakissoba!
_Yakitori!
_Miso ramen!
_Shoyu ramen!
_Takoyaki!
_Okonomiyaki!
_Teriyaki e,
_Curry!
_Curry!
Rimos ao falar juntos.
_Sem falar nas danças!
_Bon odori é a melhor!
_Eh? Matsuri dance é mais engraçada!
_Tanko bushi também é!
_Yosakoi soran também! – ri – Mas não tem nada melhor que as barraquinhas de brincadeiras! Eu não volto para casa antes de pegar um daqueles peixinhos!
_Hmm... Pegar aquilo é difícil né?
_Mas é divertido!
Continuamos a conversar assim e Melony parecia ouvir tudo, mas não dizia nada.
Chegamos até o festival e estava tudo lindo! Cheio de lâmpadas coloridas e as tradicionais lâmpadas japonesas. E já estava cheio de gente já.
Corremos por todo lado, e não demorou muito para Melony se soltar. Ela mais comia que falava a princípio, mas depois quase extrapolou o seu eu normal. E como sempre fez arruaça com quase todas as barracas, principalmente aquelas em que era mais difícil conseguir o que queria.
No fim ela conseguiu uma montanha de brindes (apesar de que a maioria foi conseguida a base de extorsão) e não ia dividir com ninguém, pelo visto.
Eu e Sheen passamos uns maus bocados para tirá-la de algumas barracas.
Mas foi tudo divertido e engraçado.
Quando conseguimos acalmar Melony um pouco mais, eu e Sheen decidimos levá-la para um lugar com menos gente antes que ela causasse mais problemas.
Fomos até um local perto do festival, um pouco para trás. Subimos muitas, muitas escadas até chegarmos a uma mini-pracinha, e não tinha ninguém, por sorte.
Lá de cima, dava para ver Karakura e todo o movimento no festival, todas as luzes da cidade.
Karakura ficava linda a noite com todas aquelas luzes brilhando. Ficamos os três ali admirando a paisagem enquanto a brisa noturna vinha dançando leve e calma até nós, quando ouvimos uma voz atrás de nós...
_Ara, ara... Alguém já descobriu meu esconderijo secreto.
Só eu e Sheen nos viramos para olhar.
E eu petrifiquei, quase podendo ouvir aqueles órgãos macabros que aparecem em filme de terror.
Sebastian caminhou calmamente com seu cigarro até perto de nós.
“Por isso Melony foi a única a não olhar, ela conhece a voz dele... Ugh... Mas que hora para Sebastian aparecer...”
A aura animada de Melony se transformou numa aura negra e tenebrosa.
“Ah... Lá vêm problemas...”
Sebastian então viu Melony.
_Ah... A rebelde também está aqui?
A aura negra de Melony se triplicou.
_ Você é corajosa hein Kouji-san! Trazer Melony deve ter te dado trabalho.
“Apesar de que aquilo era verdade, ele não precisava ter me posto no meio da briga... Eu mereço...”
As mãos de Melony tremeram. Ela caminhou até passar por nós e por Sebastian, até ficar atrás dele.
_Não fique bancando o sabichão velho. Falar asneiras vai te fazer engolir seu cigarro.
Sebastian soprou a fumaça calmamente. Acho que já tinha prática com as provocações de Melony.
Então ele olhou para ela pelo ombro com um sorriso sarcástico.
_Tá aprendendo a me responder também hein?
As veias do rosto dela subiram.
_É mais fácil fazer isso agora que não estou mais sob cuidados de um certo velho pervertido, sabe?!
As veias do rosto dele subiram.
_Também ficou mais fácil pra mim não ter uma certa delinqüente juvenil sob meus cuidados.
Duas gotas desceram. Uma na minha testa e outra na testa de Sheen.
“Ai meu Deus, por favor...”
Nesse instante, ouvimos um estrondo no céu.
Nos viramos surpresos para olhar.
As cores dançavam no alto, brilhantes.
Fogos de artifício.
Então as discussões deram lugar a exclamações.
Era tudo tão lindo...
“As cores fazem milagres...” – pensei, aliviada por não ter que ouvir mais nenhuma briga.
Mas parecia mágica mesmo. Eram apenas cores brincando no céu.
Mas na terra, eram fogos e quatro pessoas admirando-os. Como velhos amigos.
As luzes brilhantes aqueciam o coração... Faziam desavenças desaparecerem. Como aquilo não podia ser mágica?
Aquela noite não podia ser mais perfeita.
Eu estava ao lado das pessoas que mais amava vendo as coisas que mais amava: Minhas cores, fazendo mágica no céu... E nos nossos corações.
***
Quase coloquei em prática meu plano
de “chutar a bunda de Sebastian”. Não fosse aquela mistura extasiante de cores
no céu, eu...
Meus olhos brilhavam com elas.
Ficamos vendo o espetáculo no céu e
esquecemos o que fazíamos.
Antes que acabassem os fogos, o
celular de Sebastian tocou. E ele foi saindo com pressa.
_Aonde você vai seu bonzão? Ainda
não terminei com você! – gritei fula de raiva.
Ele acenou sem olhar para trás e
disse:
_Sinto deixar para a próxima mas tenho assuntos urgentes a
tratar.
Urgentes. Eram sempre mais urgentes
que qualquer coisa é?
_Tá fugindo é?
_Claro que não, idiota! - ele virou
apenas a cabeça para responder, de longe – Só que faço as coisas que
tenho que fazer na hora que tem que ser feitas.
Rosnei, mas sabia que ele era assim.
E aquela resposta foi um pouco... Surpreendente, mas não importava.
“Você está fugindo sim, seu imbecil!”
_Mas seria uma
pena não te ver nessa yukata. Ahahaha!
Senti meu rosto corar, mas não sabia
se era mais de raiva ou de vergonha.
_Idiota! – gritei.
Ele soltou uma risada e sumiu.
_Hmm... Que bonitinho né Sheen?
_É –É mesmo.... – respondeu ele,
segurando a boca pra não rir.
Aqueles idiotas estavam tirando onda
com a minha cara?
Quase peguei fogo de raiva.
_O que é que há com vocês dois? Aff,
que saco! To indo pra casa.
Eles riram.
Voltei pisando duro e ainda tive que
agüentar os comentários idiotas de dois idiotas.
“Que raiva!”
Subi no terraço ao chegar ao
apartamento para não ter que ouvir mais nada, mas infelizmente fui seguida.
_Qual é? Vão ficar me enchendo até
quando?
O idiota riu e a idiota se agachou
perto de onde eu estava sentada e cochichou:
_Ei, Melony... Será que você não
gosta do Sebastian-san não?
0,1 segundo
0,2 segundos
0,3 segundos
0,4 segundos
0,5 segundos
0,6 segundos
0,7 segundos
0,8 segundos
0,9 segundos
...
_O QUÊ??
Você é idiota mesmo
não é? Essa foi a coisa mais idiota, absurda e ridícula que eu já ouvi na minha vida!
Eles riram.
_Por que? Sebastian e você se conhecem
há tanto tempo não é? – ela ainda insistiu.
_Você conseguiria gostar do seu pai?
_Huh? Claro que não né!
_POIS É A MESMA COISA!
Ela riu.
_Entendo. Então ele é como um
pai pra você né?
Corei, e dessa vez deve ter sido de
raiva.
_Pare de falar coisas idiotas! –
resmunguei, virando as costas.
Os dois riram de novo.
Passou um tempo e eles pararam de me
encher afinal. Sentaram-se também ali no terraço.
O céu estava inundado de estrelas.
Os dois ficaram ali rindo e
conversando bastante tempo, comentando o que acontecera no festival. Quase me
crucificaram pra falar a verdade. Eu nem tinha dado tanto defeito assim... ¬¬
Então depois de um tempo houve silêncio.
O vento brincou com o cabelo de todos enquanto olhávamos as estrelas.
Então Sheen se levantou e disse que
precisava ir.
“Hummm.... Ela acha que eu não vi, mas seus olhos estavam
brilhando enquanto os dois conversavam. Se brincasse dava pra escutar até o som
do coração dela batendo rápido. E agora que ele falara que ia embora, os olhos
dela se apertaram, o coração quase parou.”
Sheen, despreocupado como sempre,
tirou dois pirulitos do bolso e jogou para nós duas.
“Ah! Que droga, esse maldito percebeu que eu estava olhando!”
Virei-me, rápida.
Ele riu, e disse:
_Se cuidem! – e desapareceu com o
vento, deixando uma garota de olhos brilhantes olhando para o céu onde ele se
fora, como se ainda pudesse vê-lo.
“Aquele idiota... E ainda diz que não roubou nada dela.”
Sheen entrou também no meu mundo; pela
janela do quarto, ainda por cima.
Mais um amigo.
Mais uma cor na tela da minha vida.
***




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Aceito críticas, desde que sejam construtivas!
Arigato Gosaimasu~~
Li-chan~~